7.12.08

Revisitando...

Dilma em visita anterior com Rosa em Monsaraz

Tempos atrás, fomos esperar a Dilma, que veio da sua Natal... Era o retorno desta bela amiga a terras Lusas, depois de algum tempo de estadia no seu Rio Grande do Norte.

Vive actualmente em Bicesse (Estoril), uma paixão... Advogada, Fazendeira com interesses no turismo... licenciada em Matérias Contábeis, Assistência Social... Poeta e prosadora de excelência, conhecedora e estudiosa de todo o status folclórico do Rio Grande do Norte, vivendo a vivência repentista e da literatura de cordel, que a mesma afirma ser a matéria de eleição... Um coração generoso, amigo do seu amigo... encontrou um amor em Portugal e para cá se mudou de armas e bagagens... De inicio mais uma amiga virtual, agora uma amiga bem real... Mulher alegre, não perdendo o sentido de vivência... perto dela o mundo é brilhante... A Rosa e a Dilma dão-se como irmãs e isso me deixa muito satisfeito.

Conheci Dilma, como conheci, muitas amigas e amigos na nebulosa da Net... Eu queria conhecer o Brasil e ela procurava alargar os seus conhecimentos humanos... Num respeito mutuo nos tornámos bons amigos.

Dilma e Joaquim, deram um salto até Évora numa manhã a prometer chuva... mas que não passou de um dia de molha parvos (chuva muito miudinha), já os estávamos esperando para o almoço. O mesmo não decorreu em nossa casa, como Joaquim gosta da comidinha Alentejana, fomos até ao "Docas", restaurante onde já tinha levado Lana...


Rosa e Dilma, talvez a ouvir Joaquim...

Joaquim e a filha Teresa (estudante de veterinária na Universidade de Évora, moça bem disposta ou não pertence-se a mesma à Tuna Académica da Universidade.

Mesa composta com os mais variados pratos Alentejanos... Aqui é o cliente quem se serve, pode comer de todos, se barriguinha houver para albergar tanto repasto. O vinho que acompanhou a refeição, foi um Fundação Eugénio de Almeida (Conde de Vila Alva), um excelente vinho tinto da Região.

Como se mantém a comidinha quente... As iguarias estão nestes tachos de barro, que mantêm o calor... Alentejanices...


Pegar, levar e pagar... Vinhos da Região Alentejana... Os mais nobres são de cá... digam o que disserem, não é bairrismo... mas constatação.

Mais vinhos de pegar e pagar... uma refeição quer mesmo um bom tinto, mais, as comezainas do Alentejo... o pedem.

O jantar, já foi por casa... voltei a convidar a família do meu irmão (Victor), para nos fazer companhia(não morace ele paredes meias)... tratei do manjar... Jantar bem informal, numa sala de refeições do dia a dia, bem perto da cozinha. Jantar que correu bastante animado com uma disposição de amizade muito...muito saudável... Todos contamos peripécias das nossas vidas... a Dilma esteve exuberante, contado histórinhas de vivencias vividas no seu Brasil... enfim, fazíamos a festa, deitámos os foguetes e corríamos a apanhar as canas...Um Jantar informal, cheio de graça e boa disposição... a família do meu irmão ficou encantada, com a ilustre visitante das terras de Vera Cruz.

As minhas sobrinhas gémeas, Inês a loira e Filipa a Morena... o Joaquim ouvindo.

Meu irmão, Mané, Dilma e Rosa

Já perto do fim... talvez perto das 24h já de volta da Cachaça, Porto e outras espirituosas

Assim terminou o Jantar, com Cachaça Brasileira (da boa), infelizmente nada demos ao santo... para não sujar o soalho da casa.

As despedidas do casal amigo, que por necessidade absoluta, teve de viajar para Cascais... Pedimos para terem as cautelas necessárias, pois estava um tempo de molha-parvos e teriam de fazer perto de 150 km até sua casa e já era bem noite dentro.

Dilma, um dia destes, aparecemos aí por Cascais... para mais um pouco de convivio.

Blog da Dilma Damasceno http://janeladaminharua.blogspot.com blog de poesia.

1.12.08

Transformações em Casa ( I ) 'o prazer de fazer as coisas'

Era uma vez, uma piscina....

Agora a transformei num pátio interior com jacuzzi

Onde tenho utilizado o meu tempo livre ? Na construção do pátio...claro, daí não ter sobrado muito tempo para visitar todos os Blogs amigos.

A Construção

As Primeiras pedras... melhor as primeiras vigas.



Dias de chuva, abandono destas tarefas

Reinicio dos trabalhos na cobertura da Piscina
Colocação de placas de cimento

Ainda fica com uma pequena piscina... ou Jacuzzi bem grande
Vista da estrutura para suportar a água do jacuzzi... ainda são 20.000 litros

Outro ângulo

Pormenor do furo para os parafusos autoroscantes

Pormenor da colocação do parafuso, para fixação da chapa de cimento ás vigas de aço

Parafuso, já colocado e com a cabeça em parte embebida

Colocação das chapas de topo

A Bekas, executando uma das muitas vistorias técnicas à obra

Outro ângulo das placas já colocadas

Placas do topo colocadas e juntas tomadas, mesmo as cabeças dos parafusos, foram tratados com isolante.

Pormenor do corte para o alçapão... aproveitamento do espaço.

A abertura, que levará uma escada deslizante para o acesso

Pormenor da fixação dos pilares (prumos) de sustentação

Colocação de telas betuminosas, para que não se verifique infiltrações... estas telas são duplas, dando uma espessura final de 8 cm

Construção das grades do Jacuzzi



Colocação de um portão

Os dois elementos que tudo têm construído

Pormenor de um dos olhais

Soldando olhal

Como se fixaram as grades

Fixando as grades

Grades já fixas

Soldando as duas grades

Vista superior do conjunto das grades

Pormenor do fecho do portão semifixo da grade lateral

Outro pormenor do fecho

Pé da grade elevada, para contrabalançar a elevação da grade frontal

Construção da tampa do alçapão

Dobradiça do alçapão, feita com faz, desfaz, para chegar a esta forma simples se demorou quase todo o dia em tentativa e erro...

Simples não é?... ia queimando os neurónios com esta solução, se fosse agora até criava elevação... mas está o que está, assim fica



Pronta só falta o fecho... isso é para outro dia.

Elevação do varandim da varanda do 1º andar


Como ficou no final


Como terminou o topo ... material de pvc em placas de 3.00 x 0.25


Colocação de borracha liquida nas juntas


O projecto que executei... no pavimento da cobertura, foi só seguir a ideia para a criação de um elemento ornamental


O inicio, corte do ferro


As rodas já criadas


Soldadura das várias peças


Terminado já de noite


Base dos subidouros


Corte nas placas para implantação dos subidouro


Pormenor das tampas laterais de um dos subidouro


Quando ficou pronto de serviço de serralharia


Produto final, até que ficou engraçadinho


Candeeiro exterior

Como ficou a iluminação do interior, agora local de arrumos


Colocação do pavimento

Pormenor da cantoneira de acabamento


Plano de conjunto da obra efectuada

Pavimento totalmente pronto

E pronto já está... está nada, vê o que ainda falta
Mas esse é outro post.


Algerozes superiores para apanhar água dos beirados
Tubos de queda

Caixa de água de extracção automática
Skimer
Tomada de água de fundo
do jacuzzi
Tubagem de distribuição de água filtrada Distribuição de ar
Montagem de compressor de ar

Montagem de gerador automático, que compense a falta de corrente eléctrica

Equipamento elevatório de pessoas

Vou continuar a trabalhar, agora nos quartos e wc, não tarda aí outro post sobre a construção de um deles e o que resultou da transformação da biblioteca e casa de jantar.

22.11.08

Revendo amigos da outra margem....


Visita da Lana

Tocou o despertar 5 horas da matina, hora para arrumar o corpo e rumar para Lisboa, melhor dito... direitinhos ao Aeroporto de Lisboa... Esperar a amiga Lana, Médica na cidade de Mossoró, no Rio Grande do Norte, chegada prevista para as 8h da manhã em avião de carreira (Tap) directamente de Natal.

A manhã estava fria neste Novembro solarengo, onde o Sol brilha mas o moderado frio impera, a viagem que fez sem qualquer sobressalto e pelas 7:45 já o 'pó pó' estava arrumado no estacionamento e se caminhava para a gare das chegadas. Estava um pouco apreensivo, pois da primeira visita da Lana nos desencontramos e foi a Lana a encontrar o casal de jarros Alentejanos... Agora não se poderia repetir a proeza, teríamos de a encontrar na boca da cena.

Estas esperas, são por vezes monótonas, pois desde o receber das malas ao passar pela alfandega é sempre morosidade quem mais ordena... claro que alguns já viajaram em voos internacionais e sabem bem como é a monotonia destes transmites.

Por fim lá apareceu a radiante e simpática Lana, os nossos olhares se cruzaram ao mesmo tempo e iniciamos a festa dos abraços, beijos... tudo o que o reencontro dos amigos traz.

A Lana vem com um grupo Turístico com gentes de Pernambuco e Rio Grande do Norte, passar alguns dias (20) na Europa, com passeios marcados, por Lisboa, Fátima, Porto, S.Tiago de Compostela, Madrid, Saragoça, Barcelona e Paris e não sei mais onde...

A nossa amiga, teve de ainda de falar com a 'Guia' para combinar o reencontro dela com o grupo no Domingo em Fátima, pois o rumo é dar um pulinho a Évora, para podermos conviver um pouco, além de mais a Lana quer muito ver o mais novo rebento da família, o Guilherme de já 4 meses e filho da minha filha Maria João.

Assuntos tratados entre a 'Guia' e nós e a turista rumamos à Cidade Museu (Évora.)

Sol brilhante no horizonte, auto estrada que é uma delícia entre Lisboa e Évora, parámos na primeira área de serviço, para beber um café e a Rosa e a Doutora Potiguar comerem qualquer coisa para aconchegar o estômago... feito o mata-bicho, carripana na via com chegada prevista dentro de 1 hora de viagem, pelas planícies deste Alentejo, carregadas de montados.

Enfim chegados a casa, colocar as malas no quarto que a Rosa destinou para a nossa amiga, breve mostra das obras da futura Residência para Seniores, (casa que a Lana ainda conheceu como minha residência familiar) um pouco de repouso para o corpo da nossa amiga se ir acostumando ao nosso frio, apesar do Sol e saída para almoço em Restaurante de comidinha e só comidinha Alentejana.

Do que comemos e provámos.

Entradas

Queijo Alentejano de Ovelha
Azeitonas
Presunto Pata Negra
Orelha de Porco de Coentrada
Fígado na brasa com coentros

Pratos

Pés de Porco de Coentrada.
Cabeça de Porco com Feijão Branco
Migas com Carne de Alguidar
Coelho Assado com Vinho Tinto
Vitela Estufada

Sobremesa

Tábua de queijos
Sericaia
Arroz doce
Baba de Camelo
Pudim de Ovos
Maçã Assada

Não pense que é muito ou pouco, cada um come o que lhe apetece pois paga o mesmo, o único trabalho é que tem de se levantar da mesa, mudar de prato e talher e voltar à carga, com o que lhe der na gana, ou que lhe encher o olho... a medida é o buxo de cada um.

Para terminar bebemos café Delta, com aquele gostinho tão caracterizo que norteia a marca de cafés de Campo Maior.

Não voltamos, para casa, pois existia a necessidade de colocar novas pilhas na máquina fotográfica, assim tomámos o rumo do centro da cidade para esmoer um pouco o almoço, arrumamos a viatura junto à 'Torre das Cinco Quinas', passamos junto ao Templo a Diana (Romano), entre outros monumentos na passagem... e iniciamos a descida da Rua 5 de Outubro... Vinham correndo e brincando na nossa direcção 2 miúdos, grande festa e alarido, eram os meus netos Afonso e José Maria que brincavam por ali enquanto a Carla (filha) e o José (genro) almoçavam.


Entramos no restaurante e tomamos novo café com os filhos, as mesuras da praxe (eles já conheciam a Lana de outra visita)... Ali nos entretivemos num bate papo até eu me lembrar ao que ia... e eu ia por uma pilhas... meti pernas ao caminho e o neto mais novo quiz ir com o Avô... Claro que estas coisas se compram num estáminé chinês... atravessei a Praça do Geraldo e no meio do emaranhado... há de tudo... encontrei as pilhas... mas o miúdo, queria um brinquedo, acabei por comprar um jipe para ele brincar.

Voltei ao reencontro do grupinho... Mais um palmo de conversa e nos separamos. Eu a Rosa e a Lana voltamos para casa, pois não tardaria a chegada da João com o Guilherme para um lanche em conjunto.

Trrim, toque na porta, abertura do portão, ajuda no carrego do mais novo membro e mais uma vez a festa do reencontro entre a visitante 'Nordestina' e a Maria João se iniciou, agora com todas as atenções viradas, para o pirralho, que sabe-se lá o porquê, iniciou um bem estar na vida até ao adormecer, muito mais tarde... Andou de mão em mão de colo em colo, fazendo flexões com as pequeninas pernas que é um mimo de ver...

Horas de um pequeno lanche... em que o Guilherme continuou de mão em mão, até adormentar, nas mãos da Avó Rosa.


A João, termina a visita, sem antes, receber oferendas da nossa amiga e visitante de Mossoró.

Despedidas feitas, e um pouco de paz e tranquilidade para quem anda acordadinha desde as 5h do dia 21 de Novembro do ano de Cristo 2008.

Mas o tempo urge, que a visita é de Médica (um dia e uma noite)... O jantar está à porta.


Para jantar, convidei o meu irmão e a minha cunhada, já que as filhas tinham outros comprometimentos, fomos jantar a um restaurante de propriedade de um amigo da Carla e do José o restaurante ainda não estava todo pronto, como a sala estava completa, fomos levados para o que um dia será a sala principal... Como a hora já era tardia, o Gil teve de arranjar um manjar alternativo, que se iniciou com petingas e carapaus de escabeche, 'bacalhau à Gomes de Sá' e bife na chapa com saladas, tudo bem regado com um bom vinho tinto do Alentejo.

Terminado o Jantar, cada um para suas casas, a visitante nos acompanhou e foi para um remanso que bem merecia.



Domingo, 6horas e 30 minutos, horas de iniciar a entrega da nossa visitante ao grupo de excursionista brasileiros, a entrega está prevista para ser feita em Fátima.

Desta vez, não fui por auto-estrada fui mesmo, pelas estradas Nacionais, que não são tão más assim, pelo menos não têm buracos nem lombas... passamos, por Montemor-o-Novo, Lavre, Coruche, Almeirim, Golegã, Entroncamento e Tomar... Paragem nesta cidade para estender o corpinho, mata-bicho a meio da manhã, com café e bolinhos, passeio pelo centro e volta à viatura junto ao Rio Nabão... Agora o passeio, continuava, por Ourém até Fátima... mas não ficámos por ali...



























Virámos para Valinhos para dar a conhecer o local do nascimento e da vivência infantil dos pastorinhos.

Visita a uma casa tradicional da altura, deu para ver as alfaias de campo, bem como os trajes usados por altura das aparições.

Pé na rua e visita logo ao lado na casa da Lúcia, casa onde nasceu e viveu por altura do aparecimento da Virgem, lá se encontra o poço onde o Anjo lhes falou.

Agora um salto a casa dos irmãos Jacinta e Francisco, vista pela casa...todas as casas são feitas de pedra sobre pedra.






















.























Marco que marca o local da aparição de Agosto


Barriguinha a dar horas, deparamos com um restaurante, que nos pareceu agradável, parámos e abancámos... bacalhau assado e cozido à portuguesa, regado com um bom tinto da casa, a sobremesa, arroz doce e um café para remate do repasto.


Carrinho a ronronar e volta a Fátima para entrega da ilustre visita, no Hotel...

As despedidas, com promessa que nos voltaríamos a encontrar em 2009, mas desta vez, no Rio Grande do Norte... Os beijinhos , os abraços calorosos entre os amigos que se respeitam e estimam.

Adeus Lana, até 2009... espero que a continuação do teu passeio por terras Lusas e na velha Europa e o regresso a terras brasileiras, tenha sido alegre com a felicidade suficiente, para sentires saudades e vontade de retorno em 2010.

Pintor, Escultor, Poeta...genuinamente humano.


Pintor, Escultor, Poeta... "Homo sum: nihil humani a me alienum puto."«Sou homem: nada do que é humano me é alheio.» ... assim se define o amigo Francisco Charneca.

"ANGÚSTIA FRENTE À TELA"

Há uma inerte angústia me desafiando à luta...
implorando eutanásias na agonia dessa alvura...
me desafiando a desvirginar o vazio,
cheio de silêncios cúmplices...
de formas inexistentes...
de cores caladas,
prometidas, projetadas.

Sinto-me só, perdido, impotente
como criança abandonada na multidão da praça
na cidade desconhecida.

Angústias de Camus,
num Processo de Kafka...
a Musa prostituta me abandonou
e levou seu encanto de inspiração.
- Quero escrever um poema a cores,
faltam-me as palavras.

...E ela continua lá...
- branca de angústia,
fértil de sonhos -
à espera que a fecunde...

FRANCISCO CHARNECA,
Cuiabá 10.02.2007

Quer contactar o Francisco então tome nota.

correspondência de correio para

Francisco João Ourives Charneca

- no Brasil:

Rua Oslo nº 25 - Jardim Tropical -
78065-195 Cuiabá MT
BRASIL

telefone: +55 65 3634 1191

- em Portugal:


Moinho do Largo da Igreja -
7005-100 Azaruja
PORTUGAL

telemóvel: +351 96 4004 716


e-mail:
franciscocharneca@terra.com.br

francisco@charneca.net



O porquê do post... apresentar a última obra escultural... desta feita homenagem das gentes da Aldeia da Amieira no Concelho de Portel ao toiro e ao forcado... Cá no meu Alentejo.

Um toiro o visitante sabe o que é... mas o "Toiro ou Touro Ibérico" sabe o que é e para que serve? Não sabe ... siga este link e terá uma pequena abordagem

E o forcado... também sabe, não é! ... Aquela vara que entre outras coisasserve para colher os figos numa figueira... Também, mas no caso... são moços, que mostram a sua coragem, pegando os tais, bravios e selvagens Touros à unha, sem mais ajuda que os seus companheiros... 8 no máximo.

Para terem uma aproximação a estes moços siga o link aqui apresentado... é só clicar aqui.
Os grupos de forcados, não cobram qualquer valor, pelos riscos que correm ao darem o corpinho ao manifesto... veja mais links... Não tire ideias precipitadas... se não existicem, corridas de toiros... os mesmos seriam uma raça extinta.

Então estão convidados ver a Obra do "Francisco".


O grupo de forcados, com o Francisco de pé ao centro.

O povo admirando "Obra Feita"

Outra maneira de ver...

Outro ângulo da "péga"

Uma breve explicação

A Origem dos Forcados

Em 1836, no reinado de D. Maria II, foi decretado a proibição da morte dos toiros na arena, para remate da lide dos cavaleiros, passou-se a pegar o toiro.

Foi assim que no século XIX teve formalmente origem a existência dos forcados como conhecemos nos dias de hoje.

Descendem directamente dos antigos Monteiros da Choca, grupo de moços que, com os seus bastões terminando em forquilha ou forcados, defendiam na arena o acesso à escadaria do camarote do Rei, que com o decreto de D. Maria II passaram a ser eles a pegar o toiro, evoluindo o nome de Monteiros da Choca, para Moços de Forcado ou simplesmente Forcados.

A pega já se praticava sem galardões de espectáculo e a sua técnica seguramente já era conhecida mas como tudo sofreu algumas alterações até aos dias de hoje.

Depois da reunião do primeiro elemento com o touro, cabe aos ajudas a tarefa de imobilizar o touro para que a pega se considere realizada.

O rabejador é o responsável por rematar a pega.

A Pega

A pega do toiro não é a actividade brutal que pode parecer às pessoas menos conhecedoras, é uma arte que se baseia numa técnica precisa.

Existem vários tipos de pegas, as mais conhecidas e utilizadas nos nossos dias são a pega de caras e a pega de cernelha.

Na pega de caras, o primeiro elemento, o forcado da cara, tem como objectivo fechar-se na cara do toiro, após se ter agarrado aos cornos ou ao pescoço do touro e amortecido o choque da investida.

Não se espera que esse forcado segure o toiro sozinho, apenas se lhe exige que aguente os derrotes com que o touro o tenta lançar fora, até que os restantes sete forcados o ajudem, também sob uma determinada técnica, secundem o seu esforço e imobilizem o touro. Nessa altura a pega é consumada e o touro é libertado.

Também a pega de cernelha obedece a uma técnica. Executada por dois elementos, o cernelheiro e o rabejador, esperam o encabestrar do touro para tentar a sua sorte. Desta feita a tentativa da pega é feita por um elemento agarrado de lado e outro ao rabo do touro, com o mesmo objectivo, imobilizar o touro.

A estética está sempre presente. O forcado vale pela sua serenidade e sangue frio, mas também pela sua qualidade artística. Não necessita de invulgar força ou robustez, antes terá de desenvolver qualidades psicológicas, pelo que se diz que a pega é uma escola de virtudes.

Quando um forcado caminha na arena em direcção ao toiro, sem outra protecção que a confiança na sua destreza, terá de vencer a luta consigo próprio. O medo está sempre presente e a contrapor tem acima de tudo o apoio dos seus companheiros, a dependência um dos outros fá-los ter entre si uma amizade única que os acompanha pela vida fora.

O cernelheiro e o rabejador esperam o encabestrar do touro para poderem tentar a entrada sem serem vistos.

Depois da entrada, o objectivo da pega de cernelha é o mesmo, imobilizar o touro para que a pega se considere realizada.

A Formação

Todos os anos dezenas de jovens procuram experimentar a aventura de pegar um toiro, por intermédio dos amigos ou familiares surgem nos treinos cheios de vontade de mostrar a sua valentia, têm um sonho, ser forcado.

É nos treinos e nas ferras que se começa a conhecer o potencial do futuro forcado. A destreza, a garra e o jeito surgem em bruto prontos para serem moldados pega após pega, aconselhar e corrigir é o papel do cabo perante os novos elementos.

A maneira como se inter relacionam é também um factor muito importante, para o Grupo ter êxito em praça, o colectivo tem de ser forte e o novo elemento tem de conhecer a filosofia do forcado para perante a adversidade conseguir reagir com confiança em si próprio e no Grupo.

Além dos treinos e das ferras, a formação dos novos forcados passa por grupos de escalões inferiores (juvenil, infantil e benjamim), onde o convívio, o lazer e a boa disposição são os factores importantes, mas sempre com o incentivo de os preparar para a nova actividade do Forcado Amador.

Os Grupos

Existem 58 grupos de forcados, sendo 55 Portugueses, 2 Norte-Americanos (Califórnia) e um Mexicano.


Agora uma fotos da "pega"

Sozinho ele e o touro... acredite, o moço está com medo... mas vai sozinho vence-lo, com garbo e sem o demonstrar... mostrando sim, toda a arte e coragem.

Aqui é a doer... ter braços fortes para segurar o bichito, até chegar o resto do grupo... isto não é propriamente para mininas.

O Grupo a chegar... está tudo em andamento... na velocidade e na força do touro.

O Grupo auxiliando... repare que alguns ... já estão sofrendo consequências, nas patas do touro... faz parte da festa...

Veja aqui uma pega... destes moços.


video video


25.8.08

Amor




Amor é fogo que arde sem se ver
É ferida que dói e não se sente
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer

É um não querer mais que bem querer
É solitário andar por entre a gente
É nunca contentar-se de contente
É cuidar que se ganha em se perder

É querer estar preso por vontade
É servir a quem vence, o vencedor
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor

Luís Vaz de Camões

23.8.08

Amizade


Pode ser que um dia deixemos de nos falar...
Mas, enquanto houver amizade,
Faremos as pazes de novo.
Pode ser que um dia o tempo passe...
Mas, se amizade permanecer.
Um do outro há de se lembrar.
Pode ser que um dia nos afastemos...
Mas, se formos amigos de verdade,
A amizade nos reaproximará.
Pode ser que um dia não mais existamos...
Mas se ainda sobrar amizade,
Nasceremos de novo, um para o outro.
Pode ser que um dia tudo acabe...
Mas, com a amizade construiremos tudo novamente,
Cada vez de forma diferente.
Sendo único e inesquecível cada momento
Que juntos viveremos e nos lembraremos pra sempre.
Há duas formas para viver sua vida:
Uma é acreditar que não existe milagre.
A outra: Acreditar que todas as coisas são um milagre.

Albert Einstein
1879.1955

Uma Rosa


Não sou como uma abelha saqueadora que vai sugar o mel de uma flor,
e depois de outra flor.
Sou como um negro escaravelho que se enclausura no seio de uma única Rosa
e vive nela até que ela feche as pétalas sobre ele;
e abafado neste aperto supremo,
morre entre os braços da flor que elegeu.

Foi uma Rosa que Deus me deu.

Dança com Indios






Prazer de ter amigos.

Amigos Virtuais, num Meio Real

Semana rica em surpresas, pois tive a o prazer de ter em minha casa amigos de outro País, mais propriamente amigos Brasileiros. Um casal de Cearenses e um Pernambucano.

Fábio, um Pernambucano de Caruáru a tirar mestrado na Universidade de Évora que ficou acantonado, cá por casa.

É louco por Florbela Espanca, já correu Seca e Meca, nesta Cidade, tentando encontrar alguma novidade, ainda não desbravada sobre a Poetisa de

Sinto os passos de Dor, essa cadência
Que é já tortura infinda, que é demência!
Que é já vontade doida de gritar!
E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,
A mesma angústia funda, sem remédio,
Andando atrás de mim, sem me largar!


Moço culto, simpático e demonstrando grande força de vontade, para atingir os objectivos a que se propôs, todos estamos fazendo grande força, para que assim seja.

A Glaucy e o Alex, simpático casal que nos veio visitar e conhecer Évora.

A simpatia e a beleza de Glaucy ficou demonstrada ao longo dos poucos dias, neste contacto directo que muito sensibilizaram a Rosa e a minha pessoa. um encanto, é uma pérola do seu Ceará.

Alex moço, bastante simpático com uma forma de ver a vida muito própria, tomando o velho conceito de cautelas e caldos de galinha, não fazem mal a ninguém, um dos expoentes da sua filosofia, mostrando ser bastante simpático, e amigo do seu amigo.

Mas vieram para conhecer Évora e estes amigos Alentejanos, que tiveram o prazer de os receber.

Resolve-mos passear sempre a pé , que por aqui ainda é a melhor maneira de circular e de ir de um ponto ao outro. Os dias estiveram quentes, o que ajudou a algum cansaço no calcorrear, nas pedras da calçada, na subida e descida das ladeiras, para aqueles menos dados a caminhar, não se livraram de umas pequenas dores nos calcanhares e gémeos, foi vê-los derreados ao final do dia.

Iniciamos os três dias de visitas ao centro da cidade, subindo a Rua da Lagoa, iniciando a subida, bem junto ao Convento do Calvário.


Chegados à Praça do Geraldo, foi uma de tirar fotos, esta foi na frente da Igreja de S.Antão, com a Fonte Henriquina em Fundo e o Palácio do Banco de Portugal no outro lado da Praça, aqui perdemo-nos pelas arcadas. Subimos a 5 de Outubro e desembocámos no Largo da Sé, mais fotos, e iniciamos mais uma caminhada , mas agora bem pequena pois os restos do Templo a Diana ( Deusa da Caça) estão mesmo ali ao lado.

Paragem obrigatória na visita à Cidade, são um dos poucos restos da civilização Romana, que se encontram visíveis e acessíveis aos visitantes , outros foram encontradas em escavações, claro na Rua Nova também pode encontrar umas colunas por ali erguidas. E na Alcárvova de Cima pode ver restos da Muralha Romana e em recentes escavações, foram encontrados frescos em casas de senhor de posses, desconhece-se a origem da cidade de Évora, mas foi habitada por Judeus, Mouros, Gregos , Fenícios, Cartagineses, Romanos e antes destes claro está pelos Lusitanos.

Na foto ao lado, tirada na base do Templo Romano, Rosa, Carlos e Glaucy, que não desistiu enquanto não satisfiza vontade de tirar uma foto...eu que até sou um pouco avesso em ficar em fotografia... Não perguntem que nem eu sei.

Daqui foi o grupinho ver o Jardim Diana, onde se pode ter uma vista panorâmica da cidade e seguimos , pelas vielas das traseiras da Sé até ás Portas da Moura onde se sucedeu mais um lote de fotografias , onde se inclui , a torre da Casa Cordovil e as torres sineiras da Catedral., fomos descendo passando pelos meninos da Graça, Igreja de S.Francisco e Jardim Público, onde Fabio fez questão de todos fossem fotografados junto do busto de Florbela Espanca.

Demos corda aos patins que já se fazia tarde e contornando as muralhas, nos fomos chegando até casa, para retemperarmos forças para mais dois dias. Pois os dias seguintes estavam reservados, para se verem museus, Igrejas, Conventos, até a celebre Capela dos Ossos esteve incluida no roteiro e esplanadas para se tomar o pulso ao movimento das gentes na cidade.

E assim se chegou a sábado, dia de partida do casalinho de Fortaleza.

No almoço de despedida, uma feijoada, à "Carlos", devidamente regada com um Redondo "Porta da Ravessa", com uma sobremesa muito Brasileira , criação da Glaucy... e se brindou com um Porto Vintage á saúde dos presentes, e à realização dos anseios, dos convivas presentes, com os votos de nos voltármos a encontrar aqui ou além-mar.


Uma última foto, da esquerda para a direita, a minha filha Maria João, Fabio, Glaucy, Rosa e Alex. no momento da partida da "Estrelinha de Fortaleza" e do Alex, que os levou até outro destino.

Cá vos espero novamente, quando assim o desejarem...até lá obrigado pela vossa visita.


Évora!...O teu olhar...o teu perfil...
Tua boca sinuosa, um mês de Abril,
Que o coração no peito me alvoroça!
...Em cada viela o vulto dum fantasma...
E a minh'alma soturna escuta e pasma...
E sente-se passar menina e moça...

Está se formando um novo paradigma para a amizade. Novas formas de contacto humano que vão além do contacto cara a cara. Claro que sempre existiram os que trocavam correspondências, mas nunca tantos ao mesmo tempo e em situações tão diferentes.

Quando estamos nos comunicando pela Internet, seja por e-mails, blogs, programas de mensagem instantânea, sala de bate papo... o meio é virtual, mas não as pessoas com quem estamos nos comunicando.

Portanto, essas amizades que travamos aqui são muito reais. Vocês podem perguntar se não é uma amizade na qual conhecemos da outra pessoa apenas o que ela quer nos mostrar... mas, realmente, o quanto sabemos dos nossos amigos que conhecemos "ao vivo"? quantas vezes não acontece de nos supreendermos com os nossos melhores e mais íntimos amigos?

Sejam felizes

22.8.08

São Rosas senhor.... são Rosas

As duas rosas.

São duas rosas unidas,
São duas flores nascidas
Talvez no mesmo arrebol.
Vivendo no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de sol.
Vivendo... bem como as penas
Das duas asas pequenas
De um passarinho no céu.
Como um casal de rolinhas
como a tribo de andorinhas
Da tarde no frouxo véu.
Vivendo, bem como os prantos
Que em parelhas descem tantos
Das profundezas do olhar.
Como o suspiro e o desgosto,
Como as covinhas do rosto,
Como as estrelas do mar.
Vivendo... ai, quem pudera,
Numa eterna primavera,
Viver qual vive esta flor.
Juntar as rosas da vida
Na rama verde e floria,
Na verde rama do amor.

"Castro Alves"

Uma homenagem ao meu Roseiral.

Silêncio e tanta gente......



Às vezes é no meio do silêncio
Que descubro o amor em teu olhar
É uma pedra
Ou um grito
Que nasce em qualquer lugar

Às vezes é no meio de tanta gente
Que descubro afinal aquilo que sou
Sou um grito
Ou sou uma pedra
De um lugar onde não estou

Às vezes sou também
O tempo que tarda em passar
E aquilo em que ninguém quer acreditar

Às vezes sou também
Um sim alegre
Ou um triste não
E troco a minha vida por um dia de ilusão
E troco a minha vida por um dia de ilusão

Às vezes é no meio do silêncio
Que descubro as palavras por dizer
É uma pedra
Ou um grito
De um amor por acontecer

Às vezes é no meio de tanta gente
Que descubro afinal p'ra onde vou
E esta pedra
E este grito
São a história d'aquilo que sou

Letra, Música - Maria Guinot

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha



Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...

Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...

Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...

Florbela Espanca

12.8.08

Ruas do Redondo em dia de festa




As Ruas Floridas são um evento bienal de base popular, cuja tradição remonta ao século XIX e consiste na decoração das ruas da vila de Redondo com flores e outros objectos elaborados em papel colorido. Os residentes de cada rua organizam-se e escolhem um tema, cabendo a coordenação geral ao Município de Redondo.

Os registos escritos mais antigos que dão conta da ornamentação das festas organizadas pelos populares redondenses, remontam a 1838. Há todavia, na tradição oral, relatos passados de geração em geração, que sustentam a feitura de alguns enfeites de papel por moradores, como complemento ornamental às festas de Agosto, consagradas inicialmente à N. Sra. de Ao Pé da Cruz

Em Agosto de 2009 a Festa das Ruas Floridas esperam por si...

30.7.08

Quem dá o exemplo...

Taxa ilegal de IVA aplicada pela Câmara
ASAE bloqueia parquímetros de Évora
O IVA baixou de 21 para 20% há um mês. Mas a câmara de Évora continua a aplicar a taxa antiga nos parquímetros da cidade. Resultado: a ASAE mandou bloquear todos os parquímetros da cidade

"in Destaque"

ASAE bloqueia parquímetros de Évora

Os parquímetros de Évora estão bloqueados e desligados desde a passada sexta-feira, dia 26, por ordem da ASAE.

A acção da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica deveu-se ao facto da cobrança do estacionamento aos utentes se continuar a processar à taxa de 21%, não reflectindo a descida de um ponto percentual, em vigor desde o princípio do mês de Julho.

Uma equipa daquele órgão começou por visitar o SITEE (Sistema Integrado de Transportes e Estacionamento de Évora) - a empresa municipal que gere o estacionamento público na cidade alentejana - onde se inteirou das condições em que o pagamento estava a ser efectuado. Aí constatou que a actualização do imposto não estava a ser cumprida, à revelia da lei.

A mesma equipa voltou mais tarde, munida de um ordem judicial emitida pelo Tribunal da Comarca que determinava o desligar dos parquímetros até que fossem realizados os respectivos ajustes, revelou Natália Fernandes, responsável do SITEE.

Os ajustes ainda não foram feitos e hoje, quarta-feira, quem quiser estacionar em Évora ainda o pode fazer sem ter de pagar.

7.6.08

Arte com café



Todos os meus amigos, sabem que gosto de café, bebo café de manhã, à tarde, pela noite. qualquer hora é boa para beber café...aquele cheirinho do café acabadinho de fazer, supera a minha resistência... O aroma da torra do café, aí então o café burila mesmo comigo, se torra irresistível ... e que me dizem de colocar um grão de café bem torrado na boca e trata-lo como se rebuçado fosse... não sei se sou drogadinho em cafeína se no aroma do café... Hoje coloco aqui um artigo sobre criar "arte com o café... Vamos lá então colocar as mãos no café...

Como Fazer Arte no Café

Apesar de muitos concordarem que fazer um bom café expresso é uma arte, a "arte no café" ("Latte Art", em inglês) se refere aos desenhos feitos na espuma em cima de drinks de café. Se você quiser entrar em contacto com seu barista (expert na preparação do café) interior, a arte no café é uma habilidade importante a ser desenvolvida.

Passos

Coloque leite suficiente para uma xícara na jarra. Coloque o vaporizador no fundo da jarra. Ligue o vapor, e erga o vaporizador devagar até que ele fique próximo a superfície do leite. Abaixe o vaporizador a medida que o leite sobe, para que o vapor saia a 1cm do topo do leite. O leite não deve espirrar muito, e não devem se formar grandes bolhas. Crie um leite aveludado, ao contrário do leite espumoso que fica em cima da maioria dos cafés expressos.

Permita que o leite chegue a uma temperatura de 27 ºC, e coloque o vaporizador no canto da jarra, bem fundo no leite, posicionando a jarra para rodar no sentido anti-horário. Faça isto até que o leite chegue a 65 ºC - 70 ºC. Desligue o vapor e remova o vaporizador e termómetro do leite. Limpe o vaporizador com um pano húmido.

Agite o leite vigorosamente. Se ver alguma bolha, bata a jarra no balcão diversas vezes e volte a agitar o leite por 20 ou 30 segundos. Faça isto enquanto o café está sendo preparado.

Comece a colocar o leite no café expresso. Para criar um padrão de flor, comece a colocar o leite dentro da xícara, a 2 centímetros do fundo. Quando a xícara chegar na metade, balance a jarra para frente e para trás enquanto anda com ela para o canto da xícara. Isto vai fazer o desenho se formar, preenchendo a xícara devagar. Faça este movimento usando o pulso, ao invés de mover a mão.

Quando o leite chegar no topo da xícara, faça rapidamente com que o leite entre no meio do desenho. Use uma quantidade pequena de leite, para evitar que o desenho de flor afunde.

Decore o desenho usando "stencil", pó e espuma do leite. Esse passo é opcional, pois muitos preferem fazer no estilo livre, mas você pode experimentar com a técnica da "gravura".

Dicas

Se quiser fazer um padrão de coração, balance como antes, mas sem mover de volta do mesmo tanto. Forme um círculo, e coloque devagar o leite através do centro para um coração com várias camadas.

Antes de tentar fazer isto com leite, tente primeiro com água fresca, apesar da água não ter a mesma consistência do leite, praticar com água vai lhe dar familiaridade com o ato de derramar o líquido e balançar ao mesmo tempo.

Use leite fresco para cada xícara, mesmo se tiver sobrado leite da xícara anterior.

Comece com leite bem frio - logo acima do ponto de congelamento. Certifique-se de manter as jarras de vapor refrigeradas. Leite frio e jarras de vapor vão lhe dar mais tempo para criar a textura aveludada necessária para a arte no café.

Use uma xícara com uma boca grande. Isto vai permitir desenvolver desenhos no café mais facilmente.

Avisos

Não deixe o leite aquecer a mais de 70 ºC, pois isto afecta o sabor do leite.

Materiais Necessários

Leite Integral.

Café expresso.

Jarra de paredes rectas.

Máquina de expresso com uma forte vaporizador

Xícara de 400 ml

Termómetro

Fontes e Citações

Arte no café e texturização de leite

Artigo sobre "Latte art" na wikipedia

Galeria de arte no café

Demonstrações na arte no café

Arte em Café no siteCoffeegeek.com

video

3.6.08

Exposição dos manos Charneca...









Hoje saí do ninho… levantei-me mais cedo, passei pelas obras da “Residência para Seniores” que não andam nem desandam e fui com a namorada ver uma exposição de pintura, exposição essa que os manos Charneca têm na Fundação Eugénio de Almeida, mais propriamente no “Museu das Carruagens”, queiram acreditar ou não, nunca lá tinha colocado os pés… vos digo que gostei e muito, do que vi… a exposição dos quadros do meu amigo Francisco Charneca e de seus irmãos. Aos visitantes desta página que não se podem deslocar a Évora, aconselho que visitem e a página dos maninhos em http://charneca.net/ e em especial a obra do Francisco em http://charneca.net/francisco/acervo.html verão que a sugestão que lhes dou, é muito boa. O Francisco é um pintor sério de largo curriculum, radicado lá para os lados do “Pantanal”, com assento na Academia de Belas Artes Brasileira, mas nunca esquecendo a terrinha natal, pintor multifacetado, percorrendo a sua obra alguns estilos desde a aguarela ao acrílico.

A Rosa, então, ficou admirada com as obras apresentadas pelos irmãos Charneca, pintura que não conhecia.

Na caminhada que tomámos até ao largo Dr.Mario Chicó, levou-nos a entrar pelas portas da Lagoa até ao Largo Luiz de Camões daí à Praça do Sertório, levantar um livro nos Correios, beber um café na esplanada, voltar ao caminho para passar junto ao Templo a Diana e andar para as traseiras da Sé onde fica o Museu das Carruagens. Mas não deixamos de reparar, como a cidade já está cheia de turistas. Oriundos de todas as partes deste planeta… Fico acreditando, que se outros planetas forem habitados por seres inteligentes e por mais bizarros, na sua aparência, os mesmos vêm fazer turismo a esta bela cidade.

A exposição das “Obras”, estava bem enquadrada… os quadros apresentados são de uma lavra fantástica. O Francisco apresentou, como base da sua mostra, temas campestres da nossa terra, ele retratou como ninguém a “montaria” (caça ao Javali), já um dos irmãos se debruçou mais nas aguarelas e o outro nas facas de “montaria” quais punhais de época medieval.

Claro que aproveitei para ver as carruagens e equipamentos apresentados na sala ao lado, onde o sinal mais, não era o cavalo mas o meio de transporte em si.

Grato, duplamente assim fiquei ao meu amigo Francisco, pelo honroso convite que tive a prazer de receber, não só pela primorosa exposição dos manos, mas também por vir a conhecer um lugar de visita, por onde ainda não tinha passeado os olhos.

Obrigado Francisco Charneca e grande abraço deste teu amigo

27.5.08

Francisco Charneca

Click na imagem para ir para a página deste artista Eborense

21.3.08

São Tiago...Quem foi?


São Tiago era filho do pescador Zebedeo e de Salomé.

O seu irmão mais novo era João. Devido ao seu enorme fervor, Jesus conferiu-lhes o título de "filhos do trono" (Evangelho segundo São Marcos, Capítulo 3, Versículo 17). São Tiago (também chamado Santiago) é, para além do seu irmão João e de Pedro, um dos discípulos predilectos de Jesus que estiveram presentes durante a revelação, permanecendo junto a Ele no Jardim de Getsemane durante as horas que precederam a Sua morte. Segundo a tradição, pregou o Evangelho durante o Pentecostes próximo da cidade de Samaria - actualmente Shomron- e em Jerusalém. Partiu para Espanha no ano 43 d.C. para pregar. Ao voltar, foi decapitado pelo Rei Herodes Agripa I da Judeia. Santiago foi o primeiro mártir de entre os apóstolos (Apóstolos, Capítulo 12, Versículos 1-2). Foi trasladado pelos seus dois discípulos de barco até à Galiza, para finalmente ser aqui enterrado.

Ida e volta a S.Tiago de Compostela







Segunda-feira 17-03-2008, levantei-me com ganas de continuar a construção da nova casa de banho, colocar tecto falso, pôr massa de regularização para o assentamento do vinil, aparafusar o gesso na parede virada ao quarto, bem como iniciar a electrificação. Juntei-me ao Fernando pelas 9 horas para o início dos trabalhos da semana e fomos seguindo o delineado para as tarefas programadas para o dia.

O meio dia chegou, já com o tecto falso colocado e eu bastante cansado, pois toda a semana anterior incluindo sábado e domingo estive trabalhando no raio da casa de banho, que não dá mostras de chegar ao fim, pedi à Rosa para ajudar nalgumas limpezas, que nisto de construções em casa é só criar lixo por cima de lixo, mas chegando perto das 12,30, me aproximei da cara metade e lhe disse … e se formos dar uma volta e deixar isto por uns dias… ela olhou para mim muito espantada, esbugalhou os olhos e admirada, me fitou séria e me respondeu … agora …. Retorqui… agora pois, logo a seguir ao almoço.

Disse o Fernando que iríamos tirar umas micro-férias, e só voltaríamos a continuar os trabalhos depois do Domingo de Pascoa… e fui ver do Almoço, pois a Rosa já tinha ido termina-lo.

Depois do almoço voltamos à quinta, arranjamos as coisas, para um par de dias e zarpamos pela auto-estrada que liga Évora a Lisboa. Ali por beira de Vendas Novas e depois de alguma conversa sobre o destino final, tomámos a resolução de rumar ao Norte, uma visita a S.Tiago de Compostela aí uns 700 km de Évora, o que interessava era andar e desanuviar um pouco, ver as paisagens, almoçar e jantar em lugares bonitos ou em Restaurantes já conhecidos, alguns eu não perco quando viajo pelo Norte do Pais.

Resolvemos que iríamos sempre por auto-estrada e que o Hotel da dormida seria em Viana do Castelo.

Fomos devagar, que estávamos desopilando os dois dos trabalhos em casa, por isso nada de mechas. Tivemos sorte pois o tempo se mostrou sempre solarengo durante o dia. Abeiramos ao Porto, com as primeiras estrelas no céu e o início de uma bátega de água, mas coisa pouca, mesmo leve, nada que incomodasse a condução.

Cinco horas de viagem e estamos em Viana do Castelo. Procurar o Hotel onde tínhamos ficado 33 anos antes, durante a nossa primeira viagem a sós, que naquele tempo a sós só depois do casório, rimos, com a senhora da recepção que nos recebeu, pois lhe contei que a Rosa tinha tido uma esplendorosa queda nas escadas, por causa de umas chocas que tinha comprado numa feira, por aquela altura. Preenchemos a papelada e nos dirigimos ao quarto, de lá liguei por telemóvel á Glaucy para nos encontrar, ela ainda não estava disponível para um encontro com os amigos de Évora e combinamos, que voltaríamos a ligar do restaurante onde iríamos Jantar.

De volta a recepção do Hotel perguntei se os “Três Púcaros” ainda existiam no centro da cidade, pois já por ali tinha tomado algumas refeições com a Rosa e sempre fomos bem acolhidos, me deu a informação que já não era da mesma gerência e poderia ter sorte em ser dia sim, mas o mais provável era eu não ficar satisfeito, recomendou-me outro, o “Covas”, numa transversal à marginal.

Lá fomos os dois procurar o “Covas”, entretanto começou a cair uma chuva miudinha, passando travessa e mais travessa, lá encontrámos o “Covas”… estava à pinha, lá do fundo e para a porta me fizeram sinal com as mãos mais parecia um dizer de adeus a duas mãos, saímos dali. Me recordei que tinha passado por um restaurante na avenida marginal, que se encontrava aberto, já debaixo de uma chuvinha mais forte, apressamos o passo e desembocamos no mesmo.

Entramos e mais parecia que estávamos na Galiza, pois só ouvia falar galego, não é que isso me importe, pois entendo perfeitamente o espanhol e melhor ainda o Galego, tanto falavam os clientes para o balcão como o do balcão falava para os clientes e tudo em Galego, deu para entender rapidamente que o dono da “casa de pasto” era Galego, mas quem nos veio atender e servir era bem Português e não trocava o “vs” pelos “bs”. Jantamos de “Fiel Amigo” , bacalhau frito de cebolada acompanhado de um verde branco geladinho, bem da região do Alto Minho.

No inicio da refeição entraram o Alex e a Glaucy, que vieram o nosso encontro para um bate papo, esse que se prolongou pelo café… e nos acompanharam até ao hotel, onde colocamos mais uns pontos na conversa, para a coisa ficar em dia. Ali ficamos sabendo que o Alex teria a legalização para permanecer em Portugal no dia seguinte, coisa que o Alex almejava vai para cinco anos, assim e no dizer dele já pode visitar a família no seu Ceará… Já a Glaucy vai esperar mais um tempinho, entretanto vai mandar vir a Mãe com visto de turista para matar saudades…saudades que ela muitas tem da sua Fortaleza e da sua novel sobrinhita que ainda não conhece pessoalmente… ainda os convidamos para irem connosco até S.Tiago, mas os dois declinaram o convite, pois o Alex tinha de estar no Serviço de Estrangeiro e Fronteiras (SEF) logo pela manhã e a Glaucy queria acompanhar a todo o momento cada passo dado.

Dia 18 tomada do pequeno almoço no Hotel e partida em direcção a Valença (fronteira), via auto-estrada, tempo muito bom para a condução e pouco transito no sentido que levávamos, ainda pensei em almoçar uma mariscada no mercado de peixe do porto de Vigo, mas era muito cedo para o almoço, abastecemos o carro com gasolina e caminhamos até S.Tiago passando por Pontevedra.

Chegada a S.Tiago, mesmo a horas de almoço, mas “nuetros hermanos”, só almoçam lá para as 3 da tarde, assim resolvemos visitar a Catedral, ajoelhar um pouco junto à urna do Santo, fazer umas comprinhas para as filhas e netos e ir almoçar.

No local onde compramos os “recuerdos” perguntei á balconista onde se comia bem em S.Tiago, me recomendou o restaurante “Gato Preto” que era ali bem perto… lá fomos procurar o dito cujo… mas o mesmo não passa de uma “Taberna”, o mesmo não agradou muito à Rosa e fomos por outro, subimos ao “comedor” do escolhido e muita pouca gente, nós o “Garçon” e nada mais, torcemos os dois o nariz, mas nada mais nos restava, o local era limpo, bem arranjado e com uma musica de fundo muito razoável, pedimos a paparoca “Paelha à Valenciana”, de paelha só tinha o açafrão, o arroz e um ou outro camarão perdido no meio do mesmo, ainda tive quer dar dois ou três dos meus à Rosa pois na “Paelha” dela, só restava o cheiro do marisco, para encobrir melhor ,o “Chefe” tinha enrolado o arroz em manteiga… o manganão… se salvou o vinho um verdasco branco da casta Ribeiro, que estava completamente desajustado do repasto, este sim era de boa cepa. O “Chefe” subiu para esclarecer outros “amantes da boa comida”, estive mesmo para perguntar se ele sabia como se confeccionava uma “paelha” mas a Rosa lá me conseguiu conter e o “Cuca” lá escapou de boa.

À saída do restaurante passamos em frente do “Gato Preto”… bem só vos digo…que estava cheio…mas cheio, é pouco. Já tinham colocado uma tábua cruzando à porta, indicando que não aceitavam mais clientes, quem diria que aquela tabernola transformada em casa de pasto, era o melhor “comedouro” lá do sítio, milagres destes só mesmo em S.Tiago de Compostela. Quando voltar a S.Tiago …sem dúvida que vou almoçar ao “Gato Preto”, com ou sem mochos, rodeando aquelas mesinhas quadradas com tampo de pedra.

Ainda era cedo… como tal resolvemos voltar até Évora… a caminhada era ainda de sete centenas e tal de quilómetros e eu ainda queria jantar um dos meus pratos favoritos, lá pela zona da Mealhada… Leitão, quentinho e estaladiço…assadinho com muita pimenta.

Agora virados a Sul a chuva se lembrou de nos visitar, uma chuva miudinha, mas incomodativa, pois o limpa vidros não parava de trabalhar… são dezoito e trinta da tarde … parámos na Mealhada no “Meta dos Leitões”, pois o “Pedro dos Leitões” é logo ao lado mas estava fechado, mas no “Meta dos Leitões”, o “Leitãozito” nada fica a dever nada ao do “Pedro”, claro que veio Leitão quanto baste, quentinho e estaladiço… foi um fartote do mesmo, regado com um vinho brando, com cheiro a flores e levemente borbulhento, um regalo, mas como quem conduz não bebe … a Rosa provou e voltou ao sumo, que agora iria ela fazer uns kilometros junto à roda de direcção do nosso “Gasolina”.

Paramos na Zona de abastecimento de Santarém, abastecemos e eu voltei para o volante, executando o resto do caminho pela auto-estrada.

Chegada a Évora…tudo correu bem e deu para desprender, desanuviar e desopilar as ideias.

4.11.07

Turistas de Espanha em Évora

Évora - Primitiva Muralha

Évora - Antigamente....

Évora-Outra maneira de olhar

Forcados Amadores de Évora

Évora-Outra Vista

Évora

25.10.07

Sonho sim... realidade... um dia quem sabe.

Hoje, quinta-feira, 25 de Outubro de 2007 e sensibilizado por e-mail de uma amiga Nordestina e Natalense, deu-me para ir visitar a sua cidade natal.

A visita foi aérea, que depois da última aventura, fiquei a gostar das vistas mais nas alturas.

Cheguei a Baia Formosa, num sonho, ou numa dessa vontades de por lá estar, certo é que me sentei na cadeira do piloto e tomando os comandos em mão, lá carreguei botão “starter”, para colocar a caranguejola a trabalhar, levando o aparelho para o fim da pista, pista esta privada e pertencente a uma “usina” de cana, a pista me parece em bom estado, acelero picando os cavalos da alada carruagem e lá vou eu, primeiro baixinho, para tudo ver bem depois mais alto para uma visão mais global e desfrutar o passeio.



Primeiro sobrevoo Baia Formosa tiro umas fotos, umas em voo rasante, outras já num ponto mais elevado. O tempo está óptimo para a fotografia.

Agora, já se vê a “Barra do Cunahù” e no horizonte já desponta “Pipa” , continuamos em voo rasante onde na Baía dos Golfinhos, voltamos a disparar o “Kodak”, numa ‘voltarela’ sobre a asa lá tiro mais uma na Praia do Madeiro.

O voo continuava, em esfusiante demonstração da natureza à beira-mar, cada piscadela de olho, era um momento que se perdia daquele encontro de natureza até mim.



Olhei para traz, e fiz rodar 180º o teço-teco e traz, já está, se ficar boa, é uma imagem de sonho. Voltei ao sentido original que era sobrevoar Natal.

Em frente fica Tibau do Sul e sua lindas praias, “pensei agora é de avião que tenho pressa, um dia farei isto por terra, montado nuns daqueles cavalos de fabrico "VW”.

Mais uma rotação agora na praia da barreta e abrir o obturador, fixar mais um momento, agora era ver Tibau lá ao fundo. Lá voltei à formação inicial tentando não me demorar muito mais com as belezas que marginam o Oceano, em outra hora e outro momento eu escolherei, para me deleitar com embriagora paisagem.

Viro para a minha esquerda e apanho como matriz a Br-101, entro em Natal pelo Monumento a Natal e Monumento aos Reis Magos.


Sobrevoo alto e baixinho tão baixinho que dá para tirar foto ao Bodegas bar…

Alguém me sabe dizer que ruas ou avenidas são aquelas?

Pronto o que eu temia, acabou a gasolina em pleno voo, virei o avião para o mar e saltei de pára-quedas, rebolei, rebolei e acordei todo sarapantado em plena noite.


Gosto de voar, de ver as coisas do alto, mas na próxima vou antes de bugy, assim o pior é partir o motor ou ter um furo, mas deve dar para acordar mais levezinho…

Será que eu vi alguém acenando, numa esquina de rua… deve ter sido mesmo visão minha.

24.10.07

Peregrinação a Fátima …(7) …

Sétimo dia – Sábado
Dia 13 de Outubro de 2007

Último dia de peregrinação…

Desta vez não existiu alvorada, nem chamamento, para o que quer que seja, cada um já estava por conta e risco, assim se podia levantar mais tarde… mas tal não foi possível, pois logo cedo e devido ao costume, cedo se começou a levantar todo aquele acampamento, dentro do ginásio.

Um pequeno-almoço oferecido, pela organização, com pão fresco, pois alguém tinha providenciado o mesmo.

Telefone para a filha para saber a localização em que se encontrava, pois ficou a filha mais velha com a incumbência de nos ir buscar a Fátima. Ainda estavam um pouco atrasados, mais ainda traziam o meu neto mais velho o que logo impossibilitava de todo, eles assistirem à missa e à procissão do adeus no Santuário, tal era o mar de gente.

Tomada de um cafezinho, numa baiuca numa esquina do percurso entre o ginásio e local da liturgia.

Vão sendo horas, de nos aproximar-mos, pois pelo registo da noite passada, hoje e com dia ainda seria maior a dificuldade, de nos aparcarmos com os famosos banquinhos, que tanta dificuldade houve na sua aquisição na noite anterior.

Mas lá encontra-mos lugar, perto do mesmo local, perto de nós, chegou um grupo de peregrinos Italianos, que logo ali abancou, simpáticos os casais, muito novos por sinal, mas cheios de devoção, logo atrás um fogoso grupo de espanhola e espanhóis… que estavam sempre a dar vivas à Virgem, Também um grupo da Venezuela não estava distante… de resto à nossa beira, eram Portugueses de todas as idades formas e feitios, letrados e não letrados.
Os altifalantes iam dando alguma música e cantos à Virgem, quando chegou o cântico mais conhecido, então saiu um coro uníssono cantando o “13 de Maio na cova D’Iria”, em todas as gargantas, por espectacular que pareça, os espanhóis, cantaram em espanhol a canção o mesmo fazendo os Italianos.

Pelo frio da noite anterior, e também devido ao cantar (sou um desafinador por excelência… e a minha voz de barítono, mais perto do coaxar de sapo do que um Roberto Carlos), fiquei tossindo um pouco e com a voz rouca… uma senhora que não conhecia de parte alguma, meteu a mão ao bolso e me deu um rebocado de mentol, por ser diabético, ainda estive para rejeitar, mas pensando no acto simples e desinteressado da senhora, me senti incapaz de o fazer e o rebuçadinho foi ali mesmo saboreado. Certo é que a rouquidão logo passou. Não sei o nome da Senhora, mas fica mais uma vez e aqui o meu agradecimento.
A Virgem é retirada do seu altar da Capelinha e é levada, até à nova basílica ali se forma um extenso cortejo, com Cardeais, Arcebispos, Bispos, Padres acólitos e sei eu lá quem mais.

Os Andar com a Virgem vêm aos ombros dos Soldados da Paz (Bombeiros Voluntários, em Portugal são poucos os profissionais, nesta arte de proteger os bens e acompanhar o próximo).
Já se vêm muitos lenços brancos acenado à Virgem, quando ela passa, todo este percurso, demora que parece uma eternidade, sendo sempre Nossa Senhora acompanhada por cânticos de louvor em sua honra, quando a Imagem da Virgem passa perto de nós, pelo segundo dia se me travou a voz e a garganta, só dei por a Rosa me estar pendurada no pescoço, beijando-me e eu a ela… é uma alegria indescritível.
Foi colocada a imagem no altar em zona privilegiada onde todos os peregrinos a pudessem ver.
A Missa é presidida por um Cardeal Italiano (Secretário do Papa), quando ele fala na língua de um grupo ou grupos de peregrinos, é o delírio dos mesmo, levantam bandeiras dos seus países, chegando mesmo a chorar de comoção…

Eu já estive no Vaticano e também vi o papa, no alto de uma janela dirigir-se à multidão de fieis, e sei bem o que se sente quando ouvimos as palavras ditas na nossa língua, e nós respondemos para que todos saibam… estamos aqui… elevamos as bandeiras, pulamos, rimos e alguns choram.
Termina a Eucaristia, se volta a formar a procissão, agora é mesmo o Adeus, lenços brancos e mais lenços esvoaçam por cima das cabeças… lenços e lenços que não param de esvoaçar enquanto e ouve e se canta louvores à Virgem.
Por fim retoma à sua Capinha ao seu altar, e por ali se terminam as cerimónias no Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Fátima.

É a debanda daquelas gentes que de todo o Pás vieram, mesmo dos quatro cantos do Mundo. Agora é o aperto, com todos a querem saírem ao mesmo tempo, pouco faltando para se atropelarem uns aos outros, uma Srª que se esbracejava para sair mais rápido, lá a avisei que não era modo de sair, pois se fosse de joelho ao chão dificilmente sairia com a saúde em bom estado, tal era o mar de gentes, correndo para as saídas.

Como, a Carla e o Marido, não chegariam a tempo da missa e por trazerem o Afonso, ficou então combinado, para melhor gestão do tempo eles almoçariam e se encontrariam connosco no Ginásio do Colégio, lá lhe demos o nome da rua e o nº.

Chegados ao ginásio, já lá se encontravam alguns companheiros, apresentação de alguns familiares dos mesmos e almoço, com o que ainda havia restado do Jantar da noite anterior.
Logo chegou a minha equipe de resgate, que me levaria, novamente para as quentes e calorosas terras do Sul.
Agora a viagem é feita de Auto-estrada, vamos contado algumas peripécias aos filhos, e mais rápido que uma fagulha chego a casa… pudera Auto-estrada desde Fátima até Évora.

Já pela noite, me deito na minha cama… já não tinha esta sensação de bem-estar desde os tempos de Moçambique.

Agora que tomei o gosto qualquer dia faço outra… ser peregrino para S. Tiago de Compostela, eu depois conto, não sei quando mas conto...

Que todos sejam felizes e almejem as vossa esperanças.


Seguintes:
8 – Mais fotos, Mapas e Cânticos e outras lembranças

23.10.07

Peregrinação a Fátima …(6) …

Sexto dia – Sexta-feira
Dia 12 de Outubro de 2007

Último dia de Caminhada…

Alvorada, pela 4, desta vez com a Rosa a ajeitar os pensos nos pés e a ajudar a enrolar a trouxa, todos a postos e bem dispostos, pois era o último dia de caminhada na direcção ao desígnio a almejado.

Agora, todos de camisola igual (homens e mulheres), verde-claro (limão), com a indicação do grupo, apetrechos para as camionetas e todos prontos para o mata-bicho.

Pequeno-almoço, tomado junto ás instalações, já no exterior da escola. Está a amanhecer e desta vez a organização, quer que cheguemos mais cedo ao Santuário.

Sorrisos em todas as caras, a alegria é contagiante, se formam os grupos, se iniciam os cantares e o andamento lá começa com a saída pelas 5,30 horas.

Caminhamos em direcção a Minde, agora não existe dúvida, é sempre a subir, os gémeos e as coxas não têm trabalho facilitado.

Primeiro descanso para reflexão e o abonamento de glicose e matar algum bicho mais feroz que o andamento desmoitou, com bolachas, fruta, alguns aproveitam, para se massajarem e executarem alguns alongamentos, pois já aprenderam alguma coisa nestas caminhadas, que o calcar da estrada faz mossa e da grande.

Mas é necessário andar, que se vai almoçar no Covão do Coelho. Minde à vista, lá atravessamos a vila, já perto da saída e num café, paragem geral, pois não se podia pedir muito esforço e o pior estava para vir… meter a cafeína e repousar um pouco, neste tempo todo de caminhada é a primeira vez que me sento numa mesa de café… e leio um jornal … já tinha dias o “Correio da Manhã”, mas para mim muita das noticias eram frescas, assim retirei um recorte que com a devida vénia reproduzo…

“Capelinha atacada à bomba

A Construção da capelinha iniciou-se a 28 de Abril de 1919. De pedra e cal, coberta de telha, tinha 3,30 metros de altura e 2,95 de largura. A obra estava pronta a 15 de Junho desse ano. A Imagem da Virgem chegou no ano seguinte. Feita de cedro do Brasil e pintada a óleo, foi executada na Casa Fânzeres de Braga, segundo a descrição de Lúcia. Foi colocada na Capelinha a 13 de Junho de 1920. Dois anos depois a 6 de Março de 1922, o templo foi destruído pela explosão de quatro bombas ali colocadas. Uma quinta bomba posta nas raízes da azinheira, não rebentou. A Reconstrução da capelinha teve início a 13 de Dezembro desse ano, desta feita contemplando um alpendre.
Em 1981, a imagem da Capelinha alterou-se radicalmente com a construção de um novo alpendre, em estrutura envidraçada, que se mantém até aos dias de hoje. Uma obra muito criticada na altura por quebrar a imagem tradicional, mas que acabou por se revelar fundamental, já que permite abrigar cerca de 2000 pessoas.”

Quantos sabem que a imagem de Nossa Senhora do Rosário de Fátima é feita de Cedro do Brasil?

Alguns lá saberão eu não sabia, mas gostei de ficar a saber, até o Padre que nos acompanhou, não sabia, eu lhe fiquei de dar o recorte do Jornal, para memórias e recordações dele, bem como “Gindungo” em óleo, que ele já sente saudades do seu “Gindungo” Angolano.

Saí do café e fui encontrar todo o grupo já sentado no passeio, junto á calçada que formava a estrada, ainda por ali estivemos mais um pouco e eu par os meus botões, “ Se querem chegar cedo, porque ficamos pasmados por aqui? “, pouco depois tive a resposta… formação de grupos e aí vão eles fila de um, novamente a subir aquela serra de Minde na direcção do Covão do Coelho.

Subir, já tínhamos feito centenas de subidas, quase sempre com o betuminoso junto à sola dos calcantes, mas subir, subir foi aquilo…aquela sim é uma subida, comparando as outras… não passam de ligeiros desnivelamentos de terreno, aquela foi mesmo de água pela barba, caramba, algumas subidas de Évora ou Lisboa são íngremes, mas de extensão mais ou menos curta, agora junta Kilometros a uma subida com grau de inclinação extraordinário e tens a subida que tento descrever, já junto ao cimo estava a ver que tinha de parar, era ver aquela gente toda ofegante e de rosto vermelhinho que nem tomate, caramba… a deitar os “bofes pela boca”.

Mas lá nos acercamos ao Covão do Coelho. Pequeno lugarejo com uma Igreja no centro da aldeia.

Um descanso que bem merecido era… depois a Missa, logo seguido de mais um pequeno andamento e Almoço.

Uma das coisas boas era o descanso no seguimento do tratamento da pança, aí se colocavam algumas conversas em dia se dormitava ou se tratava do magoado cabedal, principalmente dos pecíolos que agarrados ás tíbias, estas também doridas.

Levantamento, a alegria que se tinha esvaído no final da manhã, voltou aos rostos, já só faltava uma parte da tarde, para terminar todo aquele sacrifício.

Andar …Andar que são horas, já não íamos sozinhos, na caminhada, outros grupos se atravessavam vindos quer da esquerda quer da direita, outros, nos aplaudiam e nós retribuíamos, “Donde de vêm?”… Perguntava um outro grupo de peregrinos, “Vimos de Évora “… Respondíamos nós, e lá perguntava-mos e Vocês?... “De Lisboa”… responderam eles e batíamos palmas uns aos outros, cantávamos canções de um grupo para outro, tudo em movimento que o tempo não era de paragem, bem queríamos mas, não dava mesmo… a nossa gente por segurança vinha em fila de um... mais grupos mais aplausos, mais perguntas de parte a parte, estava feito o ensaio, para as comoções que aí vinham. Entrada em Fátima, era a alegria estampada, grupos daqui… grupos dali… o nosso grupo de grande que era, que a G.N.R. teve de dar ajuda na interrupção do trânsito, para podermos atravessar algumas artérias… Caminhando para a rotunda dos Pastorinhos… aqui já alguns de mão dada… estávamos quase…quase no fim… chegada à Rotunda, e o pranto rebentou na maioria, tínhamos chegado por fim… Abraços beijos, os agradecimentos… foi um entrelaçar de comoções e corações, Foi o reconhecimento que a maioria das pessoas deste grupo, com diferença social, se pode aproximar e fundir na mesma gente no mesmo povo, criando uma vivência feliz , sem preconceitos sociais, foi digna de ver a chegada á rotunda… eu não sou de choro ou lágrimas… mas eu próprio senti a voz embargada e a boca seca… a boca seca era pela sede… sem dúvida.

Da rotunda dos Pastorinhos ao destino final, ainda é bom caminho, mas não demos pela distância, tal era o ensejo de chegar junto da capelinha das aparições.

Entrada no Santuário, novamente de mãos dadas, passamos ao lado da nova Basílica da Família da Santíssima Trindade, junto à entrada uma multidão de gente pronta para entrar, vieram de longe ou de paragens longínquas (De toda a Europa veio gente até da longínqua Rússia, das Américas do Norte, do Sul com especial relevo para os irmãos Brasileiros, muita fala brasileira eu ouvi.

Entramos no recinto, iniciamos a descida para a capelinha, linda aquela fila de camisolas verdes, que nunca mais terminava, à frente seguia o pendão dos peregrinos da Diocese de Évora, o Padre como em toda a caminhada, também nos acompanhava, ia na fila (também com uma camisola verde igual à de todos os outros … ele bem a merecia, pois alem de bom andarilho, demonstrou sempre ser um companheiro, que era mais um peregrino, igual a todos os outros) … enfim mais umas comoções, agora estávamos todos juntos e na Capelinha das Aparições.

A peregrinação tinha terminado, agora era acompanhar a festa maior, a procissão das velas hoje, amanhã a procissão do adeus e voltar a nossa casa. Assim juntos novamente e em fila, lá vamos para o lugar da pernoita, Pavilhão Desportivo de um Colégio de Freiras.

Retirar as coisas da Camioneta pela última vez, escolher o canto e mais uma vez um palco, a maioria dos homens ficou no palco, as mulheres ficaram no seio do pavilhão… corrida ao banho… o afeitar da cara com a lâmina… a Rosa trata das famosas, que ninguém quer, (as malditas nem fugir sabem…) e um prato de Caldo Verde (o melhor), que as Irmãs aprontaram, para retemperar os estômagos, farnéis de cada um por cima das mesas, e daqui e dali, lá temperamos a bucho.

Depois foi a saída para a Missa e procissão das velas, a noite que tinha começado amena, arrefeceu um pouco com o entrar noite dentro. Mas não me consegui suster em pé, não era só o incomodo dos pés pisados, como eram dores nas articulações, agora que estava mais frio e eu de calções, O recinto estava a rebentar pelas costuras… 250.000 peregrinos, aquilo era a maior multidão que eu já mais vi, mas devagar devagarinho mas não parado, lá consegui sair do recinto do Santuário, e entrar nas ruas das lojas de recordações para comprar dois bancos… (daqueles de abrir e fechar com uma lonazinha por cima…pois desses mesmo, tipo para pescador). Entrei na loja, escolhi os bancos, entrego o cartão para pagar… e o raio do código não entrava… já estava a ficar mesmo fulo comigo mesmo… lá voltei ao recinto… eu tinha retirado pontos estratégicos de apoio para a volta, se não nunca mais encontrava o meu grupinho… mas devagar devagarinho… e com um engano pelo meio lá dei com a rapaziada e pedi o código à Rosa pois o que eu pensava ser não dava mesmo… a malta riu-se da aventura que eu estava tendo… dorido e com uma multidão pela frente… uns sentados, outros deitados, outros levantados… aquilo foi mesmo difícil de transpor… lá voltei eu à loja… mas o código continuava a não ser aceite… já estava a ficar “piurso”, que para “eu,”ficar com os azeites basta comer uma azeitona… lá explicou a lojista, que por ter falhado 3 tentativas a máquina rejeitava o cartão… lá perguntei por uma caixa próxima me indicou uma no BCP… Lá levanto o capital, pago no meio de uma rizada com a lojista e volto para o recinto… passa aqui, ali... sem atropelar ninguém… lá dei com eles mais facilmente, podéra, já era a 4 vez que fazia aquele caminho por entre tanta gente, que já não dava para errar… o meu ponto de referencia era 90º á Cruz da Basílica do Santuário e 45º á capelinha… não falhou nada no escuro e no meio daquela multidão…

Voltei com os banquinhos mesmo a tempo de começar a Missa… Assistimos à procissão das velas e voltámos, para o ginásio do colégio para um sono reparador, que o dia seguinte era o último.




Na fotografia tirada durante uma promessa, o matulão ás costas da pobre senhora é este pobre escriba, que tenta descrever uma peregrinação a Fátima de um grande grupo de amigos. A senhora é sua mãe e ainda vive na sua companhia.

Quem tem uma Mãe tem tudo, quem não tem não tem nada.

Também Nossa Senhora do Rosário de Fátima é nossa Mãe, a ela nos encomendamos para que proceda por nós… Quantas e quantas vezes, no socorremos da nossa Mãe Celeste.

Seguintes Títulos:
7 – A procissão do Adeus e O Caminho da Volta
8 – Mais fotos, Mapas e Cânticos e outras lembranças

21.10.07

Peregrinação a Fátima …(5) …

Quinto dia – Quinta-feira
Dia 11 de Outubro de 2007

Acordar ás 3horas, que a caminhada de hoje é grande e existe a necessidade de caminhar bem e depressa, para este dia serviu o treino dos quatro dias anteriores, o percurso será entre Almeirim e Alcanena em pleno Ribatejo.

Lamina à cara, escova aos dentes, pente ao cabelo, as pomadinhas regulamentares, arrumar os pertences, vestir um agasalho mais forte, que a manhã está fresca e tudo para dentro das camionetas.

Desta vez tive de executar o tratamento aos pés sozinho, pois a namorada estava longe e não me podia acudir, nem eu aproveitar os seus dotes de feiticeira.

Mas sabem o que é um grilo a cantar na noite, pois é, pelas três, tocou um qualquer realejo e não existiu maneira de o calar, lá nos propusemos encontrar o dito animal electrónico, seguindo o som, a toque de ouvido parava-mos junto do Ten.Coronel que nos dizia que não era o dele… remexe daqui e dali e o bicharoco sem meio de calar. Virámos um cadeirão perto e nada do bicho, já desesperados nos calámos para melhor detectar o realejo mas ele vinha da mala do dito Ten.Coronel, revolta na mala e lá se encontrou o aparelhinho, que o Ex. Militar já não se lembrava que o tinha colocado a despertar junto com o telélé. Risota final. A boa disposição continuava a reinar mesmo a horas impróprias.

Tudo para dentro das camionetas, incluído as bagagens de cada um, mais tombos e retombos e eis-nos à porta do café, onde as mulheres já tomavam o pequeno almoço a Rosa esperava por mim e lá nos fomos abancar numa mesinha, para o leite, café, pão manteiga, fiambre e queijo, para quem entendesse colocar um primeiro penso no estômago. Mais um café para acordar algum neurónio mais dorminhoco e rua com eles, para a preparação da fila, seriam para aí umas 4 da manhã, quando aquela centopeia de pernas se pôs em movimento em direcção a Santarém.

Dentro da Vila tudo bem, fora dela um escuro que nem breu, a estrada sem faixas de segurança, com pontões e pontes, mas mesmo no escuro lá fomos serpenteando, nas terras de aluvião do “Tejo”… aqui as equipas de apoio davam uma inestimável ajuda, pois se colocavam em lugares estratégicos, que além de nos mostrarem a estrada, davam indicação ao veículos circulantes da nossa presença, como a fila era grande e desta vez compacta mas de um a um, ouvimos na rádio um aviso à circulação automóvel da nossa presença, ninguém se arrimou a nós e a claridade do dia lá foi despontando, inicialmente como que envergonhada, depois o rei Sol, apareceu com todo o seu esplendor… assim chegamos à ponte de Santarém, estava a mesma em reparação, aquilo é grande mesmo, aqui tivemos um encontro não esperado, um cão… um cão perdido, provavelmente de um caçador, pois tinha aberto oficialmente a caça dias antes.

Por graça ou sem ela o cão só nos largou já para lá de Mira, quase no fim do destino, baptizei-o de Almeirim, pois via-se que o canito estava bem tratado, sempre acompanhou a coluna junto à Cruz. Coisa interessante mesmo, aquela do Cão.

Chegada ao fim da ponte, não seguimos pela subida para Santarém, viramos isso sim para os lados da estação (Ribeira de Santarém) e caminhamos na direcção de Alcanhões. Alcanhões ainda estava longe e a manhã ainda agora começava, caminhamos por estrada secundária agora, um perigo acrescido, pois além de mais estreita, não têm a mesma regularização das estradas anteriores.

Saída da estrada e entrada em estrada Agrícola, agora é que foram elas, piso irregular de terra, com bastante pedra, pouco depois de encontrei o Ramos, parado em descanso, e me disse “Rapaz isto agora é mesmo a doer, estou um pouco cansado, lá lhe disse que não eram horas de pensar nelas, (tanto nas pernas como nas borregas) e para não estar muito tempo parada, pois se arrefece-se lhe custaria muito mais reiniciar a marcha, mas ficou por ali mesmo parado.

Encontrei uma espanhola de Valadolide mas a viver em Badajoz, que aproveitava o tempo, apanhando alguns pequenos cachos de uvas em videiras que já tinham sido vindimadas, entabulamos conversa com a apresentação costumeira, quem és, donde vens, quantas vezes já foste peregrina, muito cansada ou não, a conversa normal para conhecimento entre as pessoas, eu ajudei a que ela tivesse mais uns cachos, no saco… entretanto o Ramos passou por mim num aceleramento total, dizendo que era ele quem mandava no rebanho e não elas e lá foi ele espezinhando as mesmas… como lhe deviam doer as solas dos pés… mas ele lá ia.

Parei um pouco, pois estavam a vindimar, mas em vez de um grande grupo de gentes, só maquinista e máquina para aquela grande vinha e olhem que eram muitos e muitos hectares, estava muito entretido a ver a máquina quando a Rosa me tirou da pasmaceira, pela necessidade de caminhar.

Agora era a subir… lá encontramos o asfalto, na entrada da vila de Alcanhões, Chegados um visionamento da dor que passava por todos, eram pernas no ar, gentes descalças… enfermeiras ao trabalho… mais corte e costura, muito “halibute” e tudo isto na praça principal da pacata vila, a Rosa sentou-se no passeio, logo outras amigas se sentaram perto dela… disse-lhe que ia por um café… ela anuiu com a cabeça e subi rua acima procurando a tão desejada bica.

A moça do café veio até mim, perguntou-me o que queria, mas eu me engasguei, vocês sabem o que é um peito bem feito e quase a descoberto, pois a visão estava ali, perguntando o que eu queria, lá lhe “disse” uma bica e ela foi por ela.

Trouxe o café, e eu devo voltar a ficar com cara de provinciano parvo, o Ramos e o Espada que estavam entrando ainda me viram entornar a chávena do café, como tudo aquilo aconteceu, não sei… o certo é que a moça se prontificou a oferecer outro café… deduzi, que o efeito inesperado, não era só na minha pessoa, outros já tinham sido atingidos… mas deu para uma boa gargalhada entre os três.

Volta tudo para a fila, que a próxima paragem será na vila de Pernes para almoço.
Mais serpentear, agora com mais trânsito automóvel junto ás pernas, a estrada, não tem bermas, só uma linha de tinta branca a delimitar a mesma.

Já próximo, paragem para a missa, que na saída como de costume não houve lugar devido á matina, a Rosa sente-se mal, quase desmaia, tiro-a da igreja e a trago para uma sombra, onde também corre uma aragem numa lateral da igreja, mas logo, logo se restabeleceu, já começam a voltar as cores à face e os calores que a invadiram a desaparecer, voltamos para a igreja, ainda a tempo do inicio da celebração litúrgica. Já tudo passou, demos o incidente por culpa do calor e da despesa calórica.


Paragem para almoço, o que as pernas querem é descanso, o que o corpo quer é descanso o que todos querem é descanso, é velos de pernas agitadas encostadas e erguidas nas paredes… chamada geral para o rancho, lá se vai arrumando toda a gente nas cadeiras… uma coisa eu notei, ninguém torce o nariz à alimentação, vejam só o que faz o esforço, tudo está bem.

Depois o café do costume, que este corpinho, já só anda por meio da cafeína.

Continua o calor, vamo-nos encostando por aqui e por ali, para descansar mais um pouco…pois logo soará a chamada geral.

“Meus senhores e minhas senhoras vamos lá acabar o dia com mais umas subidas e descidas, temos de iniciar a marcha”.

E lá se forma a fila em número de 12 por cada hoste que era o número de apóstolos, mais canções e um Rosário dedicado a Maria.

E assim foi um sobe e desce na direcção de Alcanena, onde chegamos já perto do anoitecer, mais uma vez, jantar sem banho, desta vez o jantar servido no refeitório da escola EB 2/3, em fila de pronto a comer, aproveitei-me das saladas que estavam bastantes frescas.

O descarregar as camionetas… mulheres e homens pela primeira vez, todos juntos, uma particularidade, homens para um lado mulheres para o outro, lá fiquei eu junto do meu grupo da noite e a Rosa na outra ponte junto ao grupo dela.

Montar tudo, para a cama ficar em ordem, desta vez o chão não era de cimento mas sim de tacos, coisa que me agradava mais. A colocar-me dentro do saco cama e a luz a se apagar… por um pouco ainda se ouviu um ou outro falando mas depressa tudo se calou… eu dormi que nem um santinho, dormi tudo de um sono. Mas me contaram que aquele ginásio, virou sala de concertos, as mulheres ressonavam mais alto que os homens… Se um dia existir uma próxima, levo gravador, para não me chamarem nomes… garanto que gravo tudinho.

20.10.07

Peregrinação a Fátima …(4) …

Como combinado na noite anterior a alvorada foi pelas 4H da manhã, pelo menos o meu telemóvel assim o indicava, levantar, desfazer da barba, colocar a escova no marfim, uma penteadela, vestir e arrumar todos os objectos pessoais, só falta arrumar a malinha da cura das maleitas. A Rosa chega tratamento dos pés, o fechar da mala, colocar todos os andrajos e malas na camioneta e correr para o pequeno almoço, a doze normal das manhãs e sair para a rua, que o pessoal já se estava concentrando, para saber do boletim do tempo, que por qualquer irracionalidade, tida dado sempre certo, vamos ter mais calor e muito alcatrão pela frente, pois iremos dormir a Almeirim, desta vez, já na região Ribatejana com muitas subidas e descidas.

Para começar, e porque esta gente da organização, deve ter a mania das grandezas e porque o que é grande está no alto, mais uma subida, mas diferente. Logo pela manhã e para despertar e se ajustar ao que seria o dia, subir escadas, escadas de pedra, ainda comecei a contar os degraus, mas qual carapuça, já me faltava o ar para levantar a perna quanto mais para contar, caramba, era mesmo muito, muito degrau, até banquinhos tinhas, para prover o descanso… mas lá chegamos ao cimo… Bairro de S. António, Estrada Nacional e saída para a sede do Distrito “Santarém”, mas a travessia do “Tejo” não era para hoje, era para amanhã.

Lá no alto, retemperar forças com o doping da bica (Café Expresso), chávena cheia, pois cafeína é necessária, para uma aceleração condigna da bomba que existe em cada um dos peregrinos e não só, enquanto tomava a minha bica cheia, reparei que a companheira do lado, não se satisfazia só com o cafezinho, tinha de ser com um “Porto”, para melhorar a carburação, grande mulher, não reparei, mas deve ser das de pelo na venta… ou vai ou racha.

Mais um ajuntamento de todos, alguns mais entraram aqui na peregrinação, estavam frescos, mas bem depressa, estavam como o bando antigo se encontrava, por vezes bem descaroçados.

Partida, novamente grupos de 12… as canções, para expelir algumas secreções pulmonares ganhas durante a noite e umas Dezenas a Maria.

Desta vez a estrada tinha bastantes sombras, mas tinha um senão, o asfalto era novo e ainda libertava alguns perfumes específicos do betuminoso, o sol veio visitar-nos e dizer-nos que vinha para dourar o nosso dia.
Água, muita água a distribuir no sobe e descer do serpentear da estrada, e na centopeia de corpos e pernas, que se ia aos poucos desagregando, vi montinhos se formando, as meninas da “F1” passaram por mim como “cão por vinha vindimada”, como nada fosse com elas, mas iam bem vermelhinhas do esforço, também o “speed”, passou num passo acelerado, como de ambulância se trata-se eu e Rosa íamos ficando para traz, para ver o fim da fila, pergunta-mos a um elemento de apoio, que nos oferecia água e alguma glicose, qual era o tempo de atraso da vassoura, ele mos informou que seria perto de 35 minutos, isto são muitos kilometros para traz, resolvemos não ir ao fim da fila, e voltamos ao nosso passo normal, aquele a que as pernas e os pés melhor obedeciam.

Andamos para aí 2 ou 3 Km sem vivalma, até nos aparecer um latagão segurando uma moça, que não podia mais andar, mas insistia que queria continuar e não restava mais ao moço que ajudar, para meu espanto a moçoila era a mesma que tinha feito costa de cadeira na noite anterior quando do tratamento dos meus pés, disse á Rosa para continuar sozinha que eu iria ajudar no possível o conjunto.

Não dava, a moça quase ia no ar, e mesmo assim muito devagar, ela não podia mais, fiquei a saber que na noite anterior, tinha torcido um pé nas calçadas seculares da vila de Coruche, chamei a atenção dela, que ela não andaria muito mais, e quanto mais esforço executa-se com o pé, pior ficaria e poderia correr sérios riscos de ficar bastante tempo de muletas, devido a um esforço que a levaria a “nenhures”, mas teimosa a mocinha… já mãe de família, me disse que não ia só em peregrinação mas que ia em promessa, então dei-lhe como concelho, se ela ia em promessa e as promessas são para cumprir, o melhor é desistir agora e poder voltar novamente no ano seguinte do que correr o risco de não mais voltar, lá consegui chamar a razão à cabecinha, deixando-a a chorar e lavada em lágrimas, num dos carros de apoio.

Nem com este episódio, a vassoura me tinha apanhado, caramba como deviam estar para traz, dei cordas aos butes, e ladeira acima acelerarei o passo, para encontrar a Rosa… mas tinha perdido algum tempo, assim, comendo kilometros e borregas vivas, lá a encontrei numa pequena fila de 10 ou 12. De embalado que vinha, que convidei a Rosa a acelerar um pouco comigo no asfalto, assim passei pelo “speed” que ficou atarantado, talvez pela deslocação de ar que provoquei, no seu pára-brisas (óculos), um pouco mais á frente foi a vez de pedir ultrapassagem ás meninas da “F1”, foi a vez delas de mandarem uns ditos, o que tínhamos tomado, também queriam e por aí fora, troca de paleio e continuação da aceleração que a coisa era a subir, passámos junto a uma fonte na estrada, mas com medo que o motor cede-se não parámos para dar água aos cavalos, lá no alto encontramos a Marieta e o grupinho das manas de Monte de Trigo, agora era a descer e para uma paragem a meio da manhã.

Corrida para a rega das hortaliças, água, fruta e os doces da ordem, havia umas bolachas de coco, que nem lhes conto, como eram deliciosas, abanar os gémeos, pois os mesmo já gritavam, nem com chupeta se calavam, alguns se descalçavam e recorriam a tudo para tirar as dores a mais utilizada era a já famosa “Halibute”, desta vez as nossas boas amigas enfermeiras lá colocaram o estendal e foi um “ver se te avias” a remendar os chispes das hostes, que já se encontravam muito maltratados.

Umas orações, umas canções e o padre lá nos deixou ir para o asfalto, volta a fila, voltam a contar 12 de cada vez e mais uma Dezena por Nossa Senhora, mais umas canções, que até anima a malta e nos faz esquecer as dores e volta a colocar a ‘máquina’ a rolar certinho.

Vêm chegando a descida para a “Raposa” , são agora km a descer, muito custa descer, pois só aí damos, pelo colchão de água que temos nos pés… é difícil subir, mas acho que neste campeonato, ficou provado que descer é mesmo difícil, até as linhas sentimos, daquelas, que tal terapia levaram.

Paragem para almoço, ar condicionado, água, refrigerantes, vinho cerveja e muita salada, caldo verde como sopa e como segundo carne, Invasão total do pequeno estabelecimento hoteleiro de apoio à estrada.

Terminado o repasto, descanso do esqueleto, no parque de merendas da aldeia, junto ao Rio.

Deitei-me numa mesa de pedra e por incrível que possa, adormeci, não existia qualquer problema, tinha o meu anjo mesmo ao lado velando por mim… mas não devo ter dormitado muito, pois o anjo logo me acordou, pois uma das Srºs enfermeiras queria ver os meus ricos pés. Lá lhe fiz a vontade, e ela entrou logo no corte e costura com a famosa linha preta e a seringuita na mão, para injectar, acho eu que em tudo o que lhe veio à ideia… (muito obrigado enfermeira Gertrudes pelo seu desinteressado apoio, que não só os nossos pés agradeciam como nos tranquilizava com as suas balsâmicas palavras).

Mas ainda deu para mais uma cochilada pequena, mas retemperadora, o dia estava muito quente, e as refrescantes sombras junto ao rio, só pediam um pequeno ressonar… nada mais. Mas são horas da abalada que o rancho é grande e ainda muito falta andar.

Sobe e desce, sobe e desce, passei junto a uma pequena quinta turística e ao ver a piscina, ali me ia dando para ficar, pois o corpo de esperto que é, mostrou logo uma canseira e uma letargia que ainda não tinha sentido, mas isto foi só por um momento, que estas coisas vem à ideia mas logo vão, mas não deixei de transmitir à Rosa o que poderia chamar o “apetite” do dia.

Foi cá um andar na tarde… nem lhes conto nem lhes digo… pois a paragem, foi antes do cruzamento para as “Fazendas de Almeirim”, paragem mesmo à maneira. A fazendeira, distribui melão e melancia por toda a caravana, coloca à disposição as instalações sanitárias, agua corrente e fresca, belo descanso, recebidos no barraco como gente da sua própria família, No final ainda ofereceu café expresso que ela e um filho se atarefavam a tirar, a todos os que o pretendessem, gente muito boa esta, quando passar por Almeirim na próxima vez que for às Beiras, passo por lá e comprarei “Mel” que me pareceu de muito boa qualidade e voltarei a agradecer a atenção tida.

Mas são horas que a tarde está a findar, é necessário executar o esforço final, já não falta muito, mas ainda é alguma coisa uns Kiometros, talvez uns 7 ou 8.
Entrada da fila em Almeirim, começar a atravessar a vila, pois a pernoita, seria, junto á Estrada Nacional Lisboa-Coimbra, chegamos ao destino já a noite se tinha instalado, as mulheres, colocaram as suas coisinhas, para a pernoita numa creche, apanharam com lavatórios, minúsculos e rasteiros ao solo, ficando por parte dos amigos leitores adquirem o conhecimento do tamanho dos restantes aparelhos sanitários. (Grandes mulheres, era como executar as necessidades num penico dos antigos…risos e lavar a cara numa pequena tigela colocada junto ao chão …Risos).

Os Homens, pela necessidade do Restaurante, foram jantar, depois tomariam o banho retemperador, assim e pela primeira vez, homens e mulheres não tomaram a refeição em conjunto.

Chamei o Padre para a minha mesa, que já continha o velho Capitão, o Ten. Coronel, o Ramos e o Espada, o padre lá se sentou e ajudou a animar a “roda”, não deixando os seus créditos de bom companheiro e folgazão em mãos alheias, um jantar de boa disposição, camaradagem e amizade.

Juntar os homens e informar, que por as mulheres ser muitas, nos iam colocar no lar de terceira idade. (Não estava mal, de trôpegos que estávamos, mais devíamos parecer mais um bando de velhinhos que de peregrinos… tudo para dentro das camionetas, com as trouxas por lá, apertadinhos que nem sardinhas, lá seguimos aos solavancos até ao “lar”.

Mas o Lar era verdadeiro “Hotel”…, de seniores nada, já estavam deitados, nos colocaram três instalações sanitárias à disposição, para banho e necessidades e indicação da instalação dos “camalhos” numa grande e ampla sala.

Tomei um banho, de água quente, coisa que já não sabia bem o que era, que me colocou como novo e lasso para o sono que se adivinha.

Mas era mais uma noite de máquinas a vapor subindo em esforço qualquer serra deste país.

19.10.07

Peregrinação a Fátima …(3) …


Alvorada pelas 5 Horas, inicio de arrumação, higiene matinal e comentar com outros, o circo animado que guturalmente falando se tinha instalado naquela sacristia.

Esperar pela Rosa para me tratar os calcantes com os medicamentos e pensos apropriados, para o rebanho que se instalou na base dos pés (sem pedir licença ou autorização).

Carregar os pertences na camioneta e ladeira abaixo ir ao encontro do leite frio, pão com manteiga o tradicional copo de água para as mezinhas obrigatórias.

Mais umas descidas, para o ajuntamento no café à saída da vila. Ali estivemos um pouco… como a ganhar coragem, a Rosa encontrou uma amiga dos tempos de estudo a Socióloga Lurdes, hoje mãe de família,

Mais uma informação geral como se iria passar o dia, que a caminhada era mais ou menos longa, o tempo estaria quente, mas a maior parte do caminho era plano e com o asfalto sempre por perto, dito isto, formação da dita fila desta vez em blocos de 12 para uma dezena a Maria logo pela manhã.

Fila em movimento descendo até à Estrada Nacional, calcorreando a lateral e aproveitando a frescura da manhã, eu continuava com uma perna azul, de perneira e coxa da cor, pois estava usando calções.

A maior dificuldade na progressão, era a planície, pois se enquadrava sempre o mesmo horizonte, andava, andava e voltava a andar e nada se mudava na frente a não ser aquela enorme centopeia de gentes, com um colete laranja no tronco, tão monótono se estava a tornar a manhã, que resolvi pela primeira vez, colocar os auriculares do “Fm” e ouvir um pouco as noticias e um pouco de musica clássica.

Ainda deu para falar um pouco com o Ramos, irmão de um dos meus melhores amigos da adolescência “o Pavia”, que a vida de cada um separou, já avança aí para os 40 anos, até deu para matar algumas saudades e combinar um encontro, pelo telélé do irmão.

Mais umas conversas com este e aquele ou aquela e estamos chegados ao limite do distrito… paragem da manhã num café à beira da estrada, enorme invasão das instalações sanitárias pelas senhoras… não só invadem o espaço a elas reservado, como a dos homens, resultado da questão, é ver os do sexo masculino a regarem as hortaliças do campo matoso.

Passar a cara por água fresca, para refrescar, que o homem não nos enganou o tempo está quente… escolher uma sombra e sentar mesmo ali no chão, depois de me sentar ainda mandei um comentário para a Rosa… e agora como me levanto (rimos os dois, pois ela também estava bem dorida da caminhada até meio da manhã).

Bolos para aqui, rebuçados para ali e o doping tão necessário da bica.

“Minhas senhoras e senhores, está na hora de reiniciar a caminhada, chega de descanso, que se pode tornar vicio”, era o vozeirão do Brotas da equipa de apoio e que ia ministrando os cordéis para tudo correr sem problemas de maior.

Lá se tornou a formar a fila, desta vez já se ouviam alguns lamentos, e já se viam visíveis sinais de cansaço, que vivamente se manifestavam quer no andar deles como dos delas e os semblantes! Já não estavam tão risonhos, aquela planície estava mesmo a fazer mossa, não só no corpo como na mente.

Mas lá vamos chegando para perto do lugar de almoço… entrada em Santa do Mato, tínhamos vindo a subir aí nos últimos 3 Km e nos carreiros que nos meteram ainda subimos mais um pouco, até ao deposito de água, “lá voltei a falar com os botões, será que esta gente tem um paixão por depósitos de água e alturas? …safa “. Mas era o finalmente para a manhã… paragem mesmo para almoçar na “ Sociedade Recreativa”, onde mais uma vez em fila de pronto a servir lá fomos recarregar as baterias num belo cozido Alentejano”, Desta vez além dos doces, existiu direito ao café expresso tanto apreciado pela maioria.

Mais um descanso para o assentamento do mesmo, mais umas falas, umas piadas e se puxou pelo anedotário de cada um, para uma descontracção da mente e aperfeiçoamento de amizades.

Está na hora, está na hora… mais uma formação em linha em grupos de doze elementos e mais uma dezena e demais canções e a fila atravessou o povoado em direcção novamente á EN 114-4.

Voltámos á planície, a mesma se vai estender até Coruche, atravessamos, montados, eucaliptais, pinheirais e demais ais estavam nas pernas e nas borregas que não se calavam, não sei se o que as incomodava era o calor do alcatrão se era o meu peso a cilindra-las… certo, certo é que elas já incomodam e de que maneira.

O pessoal do apoio, estava incansável, já era de 200 em duzentos metros que paravam, para nos incentivarem e nos cederem, água, bolos, rebuçados, bolachas, fruta eu sei lá o que eles descobriam, para não começássemos a cair que nem tordos… mas ninguém caiu, desistiu ou coisa afim, lá íamos de cabelo suado, corpo suado, roupa molhada, mas de alma fresca.

A tarde estava a se alongar, era hora de apertar mais um pouco o passo, para o salto final… mas ainda mais uma paragem, para retemperar, desta vez bem junto ao Parque Industrial de Coruche… nesta paragem, já se viam mazelas, enfermarias ao trabalho (as enfermeiras também eram caminhantes, trabalho duplo para estas generosas mulheres, que roubavam seu descanso para tratar os companheiros mais aflitos).
Mais uma corrida à rega das plantas campestres, era vê-las espalhadas por tudo quanto era moita. As bolachas, fruta esfregar as pernas, esticar os gémeos, rotações de tronco, movimentos ao pescoço, tudo serve para retemperar.
Sabemos que já estamos perto do final da caminhada do dia, pergunta-se onde vamos jantar e dormir, Hospital Velho, Homens no Anexo do Rc e mulheres no 1º Andar.

Levantamento do rancho, e saltar para o asfalto novamente, agora já falta pouco aí uns 5 Km para o fim, e bem que estávamos a necessitar deste fim.

Passado o cruzamento da estrada das Beiras, vêm as pontes sobre o Sorraia, pontes em aço, altas e com algum tamanho, pontes que são ultrapassadas por passadiços laterais em aço. Entrada na Vila, como das outras vezes, a subir, a subir.

Retirar as bagagens das camionetas, primeiro as das mulheres depois os pertences dos homens, marcação do território e banho… Banho… banho e inundação, que apanhou ainda alguns camalhos no chão. Limpeza pelas senhoras e irmãs da Misericórdia local, chamada de um canalizador, para um arranjo rápido, criando maneira, que todos tivessem a possibilidade de tomar o restaurador banho, Mas na impossibilidade da total recuperação do espaço, logo nos foi disponibilizado outro no “Salão Paroquial”, desta vez eu fiquei numa suite, só para mim (Risos), sala da catequese, com casa de banho própria, como fui o último a chegar, pois estava a falar com a Rosa e outras amigas dela (Eu já tinha tomado banho). Fiquei nesta sala sozinho… a melhor noite da peregrinação, sem o incómodo dos comboios, locomotivas e outras maquinarias pesadas. Fantástico.

Jantar… para ser franco não me lembro o quê… ver onde a Rosa estava instalada… desafiei-a para ficar-mos num Hotel, mas ela não atendeu o meu pedido, e foi afirmando… peregrinação é com todos e até ao fim e assim foi.

Desci então as escadas do 1º andar para a bica da noite, e dei no final do vão, com as nossas enfermeiras, tratando dos pezinhos de cada um, ora atrapando, ora no corte e costura, que é necessário fazer uma cruz na borrega com linha preta, para a malina, não se por aos pulos.

Lá chegou a minha vez, e lá voltaram os pés a ser mirados, remirados, colocação de um liquido mais ou menos castanho com seringa nas borreguinhas e nas assanhadas, mais pomadas e atrapadas com ataduras até aos tornozelos, nos dois, no final a Srª Enfermeira lá me informou, que o curativo era assim para um pé não se rir do outro.

Como tinha de estar sentado num banco muito baixo e pequeno que mais parecido, era a um “moxo”, como sou pesado de costas, uma querida amiga da aldeia da Oriola, lá encostou o seu corpo ao meu, para “moi”não se estatelar no chão, tratamento feito, procurar a Rosa, que ao ver o meu lindo estado, se quis logo ir deitar…mas eu ainda fui por um café até ao centro da Vila, que era bem perto do local onde me encontrava, lá fui encontrar, o Ramos e o Espada, que estavam a meter carburante de 1ª qualidade “Licor Beirão”. Como aquilo é proibitivo para mim, sempre me fiquei pelo café e uma garrafinha de água… ainda se eles andassem metidos com um escocês…vá que não vá… agora com adocicados…

Levantar o arraial do café e nos dirigimos para o local do remanso, pois a alvorada no dia seguinte seria pelas 4H para arranque da fila logo ao Alvorecer.

18.10.07

Peregrinação a Fátima …(2) …

Fui encontrar a Rosa com muito boa disposição…ainda bem… que a nervite lhe tenha passado.

Arrumar os pertences, esteira, colchão, saco-cama e demais utensílios, colocar tudo na camioneta e entrar na fila do pequeno-almoço, pão com fiambre e queijo, copo de leite frio, copo de água, para os medicamentos da ordem e a aproximação ao grupo que se ia juntando no exterior do pavilhão.

Distribuição de coletes reflectores laranja, abandonando os verdes limão, assim todo o grupo tinha a mesma cor nos coletes, ficando os verdinhos para as gentes de apoio e para o membro do grupo vassoura (o último, atrás deste elemento, não ia ninguém, assim não se perderia ninguém durante a caminhada).

Quem leva a Cruz…Quem leva a Cruz… e se forma a fila já caminhando no 2º dia, previsão 24 Km , paragem obrigatória, na saída da cidade, para tomar um café mais forte, mais um descanso e eis a descida até ao cruzamento com a Auto-Estrada, Lisboa – Elvas, “sabem os que lhe digo, com as famosas borreguinhas, custa mais descer, que subir, pois parece que andamos sobre um colchão de água”.

Agora a subir, a subir até ao primeiro local de reflexão, onde depois de tanto subir, sentimos já dores nas coxas e nas pernas, os tais gémeos de 3 Kg começam a ganir baixinho.

As mulheres se espalham no campo, para as necessidades, o mesmo sucedendo aos homens… se vão juntando novamente, começam as primeiras pernas, viradas ao céu… os ‘esfreganços’ com as mais diversas pomadas, mas a mais popular é sem dúvida a ‘halibute’, o cheiro característico da pomada paira no ar e em tudo quanto é lugar.

Logo, logo, fica disponível, para todos os peregrinos, frutas, bolos, bolachas em quantidade mais que suficiente, para saciar alguma fominha já escondida, servindo o momento para retemperar forças na sombra do casario da herdade.

Se nestes momentos de reflexão rezamos? Claro que sim… então não são peregrinos caminhantes? Não vamos só para gastar a sola dos sapatos, nem pelas dores nos membros inferiores, vamos pela nossa fé e por Nossa Senhora do Rosário de Fátima.

Levantar, voltar á fila e andar, desta vez mais rápido no andamento a paragem seria nos Foros de Vale Figueira para almoço, descanso e tratamento a quem tenha necessidade.

Por este andar tive o primeiro contacto com as meninas da “Formula 1” uma unidade de andamento especial, começavam no final da fila e mantendo um andamento, mais rápido, quando passavam por mim, eu iniciava uma brincadeira, que nos recolocava a boa disposição, desde o inicio até últimos dias, com as meninas aceleras da “F1”, mantivemos um óptimo relacionamento.

Chegados enfim a Foros de Vale Figueira… almoço, descanso e remanso, passar a água pelo corpo suado, que a manhã esteve quentinha, que bem sabe a água fresca correr pelos músculos do pescoço, aproveitei o momento para colocar uma perneira e uma coxa elástica na perna esquerda, pois as dores musculares nesta perna me incomodavam.

Todos para a sala… já não sei ao pé de quem fiquei ou quem ficou perto de mim… uma pessoa sei que estava sempre lá… a Rosa, que não me largava, por nada, nem eu queria que andasse muito longe, que no contar do tempo decorrido, para onde vai a corda vai o caldeirão.

Final do almoço e mais um descanso…

Aproveitam alguns para tratar dos pés, outros para ver se o rebanho se mantinha sem mal de maior, a maioria para massajar as pernas e os pés… outros para contar como decorreu a manhã.

Mas desta vez eu ultrapassei, mesmo o descanso… no quintal do restaurante onde muitos se juntaram eu me ajeitei numa cadeira, na sombra de uma parede e por ali adormeci, acordei porque o silêncio se fez sentir. Lá retirei o traseiro do assento e procurei o grupo que já estava formando fila para o avanço da tarde… A Rosa estava muito preocupada porque não me tinha encontrada… pois se tinha posto em conversa, com novas amigas, que nem deu por eu estar por ali encostado… claro que deu risota conjunta.

Caminhada novamente, em direcção ao destino final dessa noite a vila de Lavre.

Ao ultrapassar o padre, coloquei a conversa em dia, fiquei a saber de onde era, se era diocesano, salesiano ou de uma ordem, onde fez a missa nova e eu fui dizendo quem era… simpático o padre que nos acompanhou, nesta conversa nem demos pelos kilometros, que íamos percorrendo, mas lá nos separamos, ele se deixando ir para o fim da fila eu no sentido contrário.

Mais uma paragem, mais um momento de descanso e relaxação.

Desta vez numa quinta, muita sombra, muita arvore e água muito fresca e leve. Palavra puxa palavra e lá vamos encontrando pessoas, que são amigas de nossos amigos, ou que conhecem as filhas por motivos de amizade ou profissional, ou são de terras próximas de que conhecemos pessoas… um caso, duas irmãs a Margarida e a Maria ambas da aldeia de Monte de Trigo, ora eu comecei a andar aos nove meses nesta aldeia, atravessava a rua de sacola ás costas com o dinheiro para a padaria que era mesmo em frente, a padeira retirava o dinheiro e colocava o pão… a graça está é que eu na volta, trago o saco pelo chão, por não poder com o mesmo, motivo de risada para todos, incluindo a minha mãe que achava muita graça à tarefa… tenho um neto, que leva o mesmo caminho o José, acho que na traquinice tem os genes do avô materno.

Depois da reflexão é colocar os butes a andar novamente, para o destino final do dia, agora é sempre a subir, que Lavre fica lá no alto do cabeço.

É subir, subir, subir e já entrados em Lavre e no abandono do alcatrão pela calçada é subir, subir até ao depósito de água, que é onde fica a igreja onde vamos pernoitar, a igreja matriz velhinha de séculos, por aqui só ficam os homens as mulheres vão pernoitar na Casa do Povo.

Retirar os pertences de cada um da camioneta e coloca-los onde nos pareça melhor para passar a noite, escolhi a sacristia, outros escolheram outros anexos, na ala central da igreja não ficou ninguém. O padre da paróquia veio-nos visitar, dar algumas recomendações e sentir se tudo estava bem… Tudo estava bem o corpo é que muito dorido, pois o dia esteve bastante quente, lá fomos ao banho, água fria desta vez, para o corpo acordar, revisão aos pés e mover os glúteos, para a o jantar.

O local da Janta não era ali ao lado, com muita pena minha e de outros, era muito mais abaixo, ou seja na volta … subir, subir. Mas lá demos com o restaurante onde me reencontrei com a Rosa, perguntei como eram as instalações ela me disse, que era tudo ao molho e fé em Deus, percebi que estavam muito pior alojadas que a minha pessoa.

Jantar com sopa, segundo, fruta e sobremesa de arroz doce.

Algum tempo sentado, pois quando nos sentados, nos grudamos ás cadeiras e o esforço, terá que ser forte para colocar as canelas de pé, a vontade é ficar mesmo por ali.

A Rosa ainda foi fazer o penso nos meus calcantes, ficando eu de a levar ao local onde iria cochilar nessa noite, pois segundo ela, também a estação de comboio se tinha mudado para o quarto dela, mas em realidade, não existiu a necessidade de eu entrar no sobe e desce das ruas, pois encontrou umas companheiras que a acompanharam.

Eu aproveitei e fui a um café perto bebericar uma bica, voltei então para a sacristia da igreja, onde já tinha colocado todos os atavios para passar a noite.

Adormeci a pensar no 3º dia… coisa, que iria ser de grande severidade, Lavre – Coruche.

Já agora e num aparte, a casa de banho que a todos nos servia, era a de apoio á sacristia, uma sanita num canto minúsculo, um chuveiro numa reentrância e um lavatório miniatura, mas serviu para todos, o pior era o ruído que alguns se prezavam a fazer, não sei se tudo aquilo tinha metro e meio quadrado.

17.10.07

Peregrinação a Fátima …(1) …

Toca o realejo do despertador, num apito, num pi..pi. enervante, a Rosa levanta-se e joga a mão ao botão do mesmo para o calar, é noite eu rebolo na cama e me aninho mais um pouco, pois “Orfeu “, não quer que saia dos seus braços, mas Rosa ao passar para o quarto de banho, me dá uns amorosos abanões “ Carlos são 5 horas, tu ficas ? “. Com a dificuldade própria do acordar a horas impróprias e não naturais, me levanto atabalhoadamente e lá caminho para o banho, mas a mente ia repetindo, mas são 5 horas da matina.

Arranjar o resto que falta, sacola de higiene pronta e colocada na mala… conferência dos sacos…saco cama, esteira, colchão, caixa de pomadas, adesivos e demais artigos de reparação rápida… que mais falta Carlos… que mais falta?... Pois, Máquina Fotográfica… Mp3… Fm… cartão de credito… algumas moedas… chapéu, óculos de sol, pronto está tudo, não deve faltar nada, “ Rosa quantos dias?” – “Raio de homem nunca sabe a quantas anda, sete, se chegares ao fim”. Se chegares ao fim? “Nem que seja de muletas, que eu sou Beirão, ó minha muçulmana enxertada em sangue Lusitano”. Nesta boa disposição tomámos o pequeno-almoço, como quem diz… ‘avia-te em terra já que vais para o Mar’.

Como combinado… 6h e 45m, toque de campainha, é a João, para nos levar para a o local da concentração, Adro da Igreja de Nossa Senhora Auxiliadora...” Ena pá… a gente que já por aqui está”… logo oiço dizer, que são por volta de 100 mulheres e não chegam a 30 homens, logo ali me senti cilindrado, me desculpem mas aquilo não eram propriamente mulheres, eram ‘gralhas’, elas sorriam, beijavam, ele eram palmadinhas, eram gritinhos, até assobios e sempre a mesma pergunta “Sr. Carlos também vêm?”… será que eu estava com roupinha domingueira?. Ora eu, estava de calças surradas e pronto, para ao primeiro aquecimento do tempo, transformar as calças em calções e colocar as canetas ao léu…bem canetas, não é bem o termo… pois os gémeos de cada uma das minhas pernas, deve dar para aí… uns 3 Kilos de bons bifes… acho eu… seria mais as canelas. Depois a Missa, são precisamente 7 horas.

O padre é moço novo, não lhe dou mais de 25... 26 anos e nos informa que nos irá acompanhar… Eu fiquei a olhar para ele… será mesmo, que ele irá andar ao nosso lado e no ritmo necessário… mas com os meus botões… este vai até ao fim… Porque pensei isto…porque o Padre é Africano e Angolano, forjado em terras tórridas. (antes que me esqueça o padre tem 36 anos e é um rijíssimo caminheiro e bom companheiro.)

Logo ali e a seco, nos dão a informação da caminhada do dia, pequeno-almoço, almoço, jantar, dormida e lugar aproximado das reflexões.

Carrego das camionetas de apoio com as cargas auxiliares de cada um, coisa de homem para uma, coisa de mulher para outra, os sorrisos pelas primeiras tarefas logo pela manhã, com uma aragem fresca passando pela cara, nos tornava a todos alegres e prazenteiros.

Lá nos despedimos dos que ficam, da João, da Rosa (esta, a que ajudou a criar as filhas e ainda ciranda lá por casa) e de outras pessoas amigas, que foram até lá para ver a partida e desejar boa sorte.

Depois a fila uma enorme fila de um a um (fila indiana…bicha de pirilau… o que lhe queiram chamar) começou a se formar e andar, virei-me para Rosa dei-lhe um beijo e desejei sorte (sempre eram 6 dias de caminho e aproximadamente 180 Km de percurso que nos leva de Évora a Fátima.

Sete kilometros se passaram e já estava-mos a abancar tomando o pequeno almoço no kartódromo de Évora (se sempre assim fosse não está mal, dizia eu para com os meus botões), já estavam a decorrer provas nos Karts.
Mais um juntar das gentes mais umas explicações, mais umas corridas aos mictórios e mais uma abalada (como por cá se fala) pela berma do alcatrão.

16 Km, paragem em Patalim, água de prata, fresca e abundante, sombra aprazível e é ver os caminheiros esfregarem as pernas e é hora de aparecerem as primeiras filhas das ovelhas (borregas) nalguns pés já doloridos, mas ainda não existe trabalho de enfermagem, não existe necessidade, as borreguinhas ainda não falam e são de suporte fácil…Almoço em Patalim… tudo feliz da vida, pois nem só da fé vive o homem. Final do almoço mais um descanso… pequeno, mas reconfortante, para assentar as comezainas.

Já só faltam 14 Km para terminar o dia, fomos informados, que nos iríamos juntar a um grupo vindo de Alcáçovas, um pequeno grupo de perto de 30 pessoas, então o nosso grupo peregrino iria passar dos 130 para os 160, passou a sua composição para 130 mulheres e mantendo os 30 homens, isto já não era um grupo era uma composição (comboio) em marcha lenta.

Mas a temperatura aqueceu, a digestão e as pequenas dores, não facilitam o trabalho de marcha, assim, alguns se vão deixando ficar um pouco para traz, a fila era de uma extensão impressionante na lateral da estrada. Não existe paragem para descanso do corpo, os nossos apoios, nos vão dando água, rebuçados e alguns bolos ou bolachas, para manter o nível do açúcar eu que sou diabético e bem nutrido, lá vou comendo uma peça de fruta aqui e ali, para manter a pedalada e acompanhar o resto da legião. Para entreter o tempo vou falando com a Rosa, que se mantêm sempre bem disposta e uma andarilho de excepção.

Grande subida, já com Montemor à vista, esta sim é difícil, temos que nos aplicar, olho bem para traz e vejo todo o grupo esfrangalhado, era só grupinhos, calculei que muitos vinham com as borreguinhas a chiar ou então já não eram borregas era mesmo um rebanho caminhando para o redil, tal a maneira como colocavam os pés no chão.

Finalmente o lugar da pernoita (centro de exposições da câmara municipal, junto ao centro de leilão de gado) …. Explicação, onde ficavam as casas de banho dos homens e das mulheres e onde os homens e as mulheres vão pernoitar.

Retirada das camionetas das coisas de cada um.

Caminhei procurando um sítio, para estender o colchão e os demais apetrechos, lá encontrei um sítio que me pareceu razoável, junto ao palco, também seria o local onde seria servido o jantar e se tomaria o pequeno-almoço no dia seguinte, (Servido pelo pessoal da Misericórdia de Montemor o Novo).

Depois de estender o colchão e saco cama como marcação de território, lá me dirigi ao banho do final do dia. Aquilo não foi um banho aquilo foi bulir na alma da gente, de reconfortante satisfação.

Pedi à Rosa para me olhar os pés, aí a “miúda” mudou de aspecto e eu fiquei preocupado, lá me disse devagarinho, que uma borrega no pé esquerdo, não tinha lá muito bom aspecto e já tinha um pouco de sangue, eu como diabético e do muito amor que tenho aos meus pezinhos e pernas, não fiquei lá muito alegre e lá fui procurar uma enfermeira, para ver o estado, e executar o tratamento devido.

Sentada numa caixa de transporte de garrafas de cerveja, estava uma senhora de Alcáçovas, tratando dos pés delas e deles, alguns em muito mau estado, borregas nos dois pés, estes nem ao pé-coxinho, ao lado outra senhora também peregrina que ia tratando de pés de outros. Quando chegou a minha vez e eu informei que era diabético, fui informado, por quem me assistia, que só era aprendiz de feiticeira, enfermeira era a senhora do lado, não me restou mais que esperar mais um pouco, pois estava a tratar de um latagão com perto de 50 anos natural de Almodôvar e que mais tarde alcunhei do “Speed” existiam também as meninas da “Formula 1” mas essa é outra história… certo é que o nosso amigo de Almodôvar, se impressionou com o tratamento de corte e costura feito no pé pela Srª Enfermeira, que quase desmaiou… eu acho que era do estado de fraqueza, nem ele deve ainda saber porque teve de juntar as mãos aos pés…mas lá chegou a minha hora… a enfermeira olhou …remirou e tratou…entrapou e disse para eu dar descanso ao pé… Agradeci a generosidade dela, mas com os meu botões sempre me “ri”… quem anda por mim os 28 Km de amanhã?

E lá fui jantar… prato na mão, qual pronto a servir, lá fui á sopa, depois à carne com ervilhas, quem queria tinha direito a sumos e a vinho, para finalizar fruta e café.

Um pouco na rua para não deitar logo, sentado numas cadeirinhas de plástico eu e a Rosa íamos comentando o nosso 1º dia, mas… porque existe sempre um mas?... A Rosa se comoveu e cantou ao Gregório, não deixando nada no estômago, da jantarada anterior, ficou mais aliviada… umas passadas por ali até ela se compor, levei-a até junto da zona onde dormia e voltei, para o meu real alojamento com esteira em chão de cimento.

Deitei-me e aí pelas 3 horas acordei, pensei que estava na estação dos Comboios de Évora, tal era o barulho de Automotoras, Comboios Eléctricos e das simpáticas locomotivas a vapor de outros tempos… “palavra”, nunca estive junto de tanto ronco…caramba… tive dificuldade em adormecer… mas pelas 5 horas já estava a pé para higiene matinal, colocar as pomadinhas, contra as assaduras assim fica tudo arrumadinho para iniciar o 2º dia, eu e o meu pequeno rebanho nos pés.

15.2.07

No Inicio era assim...


O Cromeleque dos Almendres é um monumento megalítico que está situado numa encosta voltada a nascente, na freguesia de Nossa Senhora de Guadalupe, concelho de Évora, Distrito de Évora.

Trata-se do monumento megalítico mais importante de toda a Península Ibérica, não só devido à sua dimensão, mas também, devido ao seu estado de conservação. É também considerado um dos mais importantes da Europa.

Cronologia
A formação deste cromeleque, foi iniciada no final do Sexto milénio a.C. e terminada no Terceiro milénio a.C..

No Neolítico Antigo Médio foi erigido um conjunto de monólitos, agrupados em três círculos concêntricos.
No Neolítico Médio foi erigido um novo recinto com a forma de duas elípses concêntricas, mas irregulares.
No Neolítico Final foram acrescentados aos dois recintos existentes, alguns monólitos com gravuras com marcada influência religiosa.

Estrutura
Os monólitos, alguns com três metros de altura, foram colocados sobre alvéolos ou cavidades, previamente preparados. Actualmente existe planta da disposição de todos estes monólitos, estando todos eles numerados de forma a ser possível identificar as características individuais de cada.

Os dois recintos contíguos apresentam uma orientação nascente-poente.

O recinto mais a Oeste, em forma de círculo é o mais antigo e foi edificado no Neolítico Antigo Médio.
É constituído por três círculos concêntricos, apresentando no total vinte e quatro monólitos. O círculo exterior tem de diâmetro, aproximadamente 18,8 metros e o círculo interior cerca de 11,4 metros.

O recinto mais a Leste, em forma de elipse, é o recinto edificado no Neolítico Médio e era constituído na sua origem por 56 menires.
Este recinto é formado por duas elípses concêntricas, em que a maior apresenta as seguintes dimensões: eixo maior 43,6 metros e o menor 32 metros.

No interior do recinto em forma de elipse, foram colocados já no Neolítico final, alguns novos menires, assim como em alguns dos já existentes, foram gravadas algumas figuras em relevo.

Descoberta e estudo do cromelque
O Cromeleque dos Almendres, foi descoberto em 1964 por Enrique Leonor Pina, quando procedia ao desenho da Carta geológica de Portugal.

Este cromeleque já teve três campanhas de estudo e escavação.
Para ver em pormenor as fotos click aqui
Fontes:-> wikipedia -